Álcool e trânsito

agosto 29, 2014

Saiba mais sobre o perigoso comportamento de beber e dirigir e as implicações da lei.

O Brasil está engajado no combate ao consumo nocivo de álcool. Conheça nossa política nacional.

O principal propósito deste levantamento consistiu no oferecimento do panorama nacional sobre os padrões de consumo de bebidas alcoólicas pelos brasileiros.

O uso de bebidas alcoólicas no Brasil é realidade bastante difundida e fonte de preocupação entre as autoridades.

Dia 8 de março é o dia internacional da mulher. Quer saber mais sobre os impactos do álcool na saúde da mulher?

Veja os principais dados sobre uso de álcool por estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos. Entre alunos do 9o ano do Ensino Fundamental, o consumo precoce subiu de 50% em 2012 para 55,5% em 2015.

Ações de prevenção, aumento da fiscalização e acesso a programas de reabilitação estão entre as medidas propostas.

Em 2001 o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) realizou uma pesquisa domiciliar de caráter nacional em 107 cidades brasileiras com população superior a 200.000 habitantes na faixa etária compreendida entre 12 e 65 anos. A pesquisa teve como principal objetivo estimar pela primeira vez no país a prevalência do uso ilícito de drogas, de álcool, de tabaco e o uso não médico de medicamentos psicotrópicos e esteróides anabolizantes. Os resultados encontram-se em um relatório intitulado Primeiro Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil.1,2,3,4,5.

Pesquisa online conduzida pela OPAS em 33 países da América Latina e Caribe avalia o que mudou nos hábitos de consumo de álcool com a pandemia.

À medida que a pandemia de COVID-19 se espalhou por todos os países da região das Américas, os governos ordenaram o fechamento obrigatório de todos os serviços e empresas não essenciais. Em alguns países, as bebidas alcoólicas foram consideradas bens essenciais, enquanto outros proibiram completamente sua venda. Como esperado, o consumo de álcool mudou do âmbito público (bares, festas, restaurantes, lojas de bebida) para o privado (residências). Além desta mudança importante, a intensificação dos sentimentos de ansiedade, medo, depressão, tédio e incerteza, ocasionados pela pandemia, pode ter afetado o consumo de álcool das pessoas.

Com o objetivo de estimar o impacto da pandemia no hábito de beber, pesquisa feita pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) incluiu 55 perguntas sobre dados demográficos, medidas de prevenção à COVID-19, impactos na saúde mental (nos últimos 14 dias), e consumo de álcool antes e durante a pandemia. Elas foram respondidas por 12.328 pessoas com 18 anos de idade ou mais, residentes dos 33 países da América Latina e Caribe, sendo o Brasil o país com maior número de respondentes (3.799, 30,8% do total). A OPAS destaca que a amostra da pesquisa não é representativa da população residente na região estudada, e constitui um limite ao alcance e generalização dos resultados da pesquisa.

Em todas as regiões, a prevalência de consumo de álcool foi maior em 2019 (75,8%) do que durante a pandemia (63,4%). O Cone Sul, sub-região em que se encontra o Brasil, registrou o maior índice de consumo de álcool antes e depois da pandemia: foi de 81,4% para 73,8%. No entanto, é importante notar que o período de cobertura da pesquisa sobre o ano de 2019 foi de 12 meses, enquanto para o ano de 2020, o período de cobertura restringiu-se aos primeiros 4 meses da pandemia (março a junho). Portanto, os dados de 2020 não refletem a prevalência anual de consumo, mas sim, a prevalência durante o período avaliado da pandemia. Feita esta observação, a pesquisa mostra também que o tipo de bebida mais consumida foi a cerveja, tanto antes (52,3%) quanto durante a pandemia (48,7%), seguida pelo vinho, cujo consumo aumentou de 21,8% em 2019 para 29,3% durante a pandemia em todas as regiões, e de 28,2% para 38,1% no Cone Sul.

Outra preocupação despertada durante a pandemia, por conta do fechamento de bares e lojas de bebida, foi com o aumento da venda e consumo de álcool ilegal. Os dados da pesquisa também mostraram que apesar do consumo de destilados e bebidas preparadas em casa ser maior em 2019 do que durante a pandemia, a frequência do consumo de álcool ilegal/informal aumentou durante a pandemia de 2,2% para 4,9% mensalmente; de 1,9% para 3,0% semanalmente e 0,4% para 0,6% diariamente.

No que diz respeito ao Beber Pesado Episódico (BPE), definido como o consumo de 60 g ou mais de álcool puro em pelo menos 1 ocasião no último mês, 11,2% dos participantes relataram um aumento em sua frequência, 27,1% relataram diminuição e 61,6% não relataram mudança na frequência durante a pandemia. Dentre aqueles que aumentaram sua frequência de BPE, a maior parcela esteve situada no Cone Sul (15%) e o índice dos homens foi maior do que o das mulheres em todas as sub-regiões. As pessoas mais jovens (18-39 anos) destacaram-se como as que mais praticaram BPE tanto em 2019 como durante a pandemia, sendo que 35% daqueles com idade entre 30 e 39 anos foram as que mais relataram aumentar a frequência de BPE, ao passo que aqueles com 18 a 29 anos foram os que mais diminuíram a frequência deste comportamento (40,8%). Apesar dos altos índices de BPE, a procura por ajuda tanto em 2019 como durante a pandemia foi muito baixa (0,4% e 0,3%) entre os que reportaram a prática. Uma pequena parcela tentou reduzir seu próprio consumo de álcool sozinho, sendo 10,2% em 2019 e 7,4% durante a pandemia.

A pandemia COVID-19 também teve muitos impactos na saúde mental da população. É normal e compreensível que os indivíduos fiquem mais propensos a sentir medo, preocupações, estresse, nervosismo, ansiedade e inquietação quando se deparam com a incerteza típica de crises como esta. A pesquisa mostrou que 52,8% dos respondentes relataram ao menos 1 sintoma emocional, sendo mais frequente entre mulheres. No geral, 36% da amostra total apresentou de 1 a 4 sintomas/sentimentos emocionais com frequência (quase todos os dias). A pesquisa também demonstrou associação entre o relato desses sentimentos e o consumo de álcool: aqueles que reportaram maior número de sintomas emocionais também apresentaram maior prevalência de consumo de álcool e de BPE durante a pandemia. O BPE também foi mais frequente entre as pessoas com maior renda familiar.

Apesar da frequência aumentada de sintomas emocionais durante a pandemia, a pesquisa aponta que o BPE não se alterou de forma significativa nesse período. De todo modo, na medida em que representa um grande risco à saúde, passível de agravar os problemas relativos à COVID-19 e associado a sintomas emocionais, a OPAS endossa a importância de medidas restritivas à disponibilidade e acesso ao álcool, intervenções para melhorar a saúde mental das pessoas, e informações qualificadas sobre álcool e COVID-19 que se estendam ao período pós-pandemia.

Para saber mais sobre o consumo de álcool durante a pandemia, veja também outros textos do nosso site:

https://cisa.org.br/index.php/pesquisa/artigos-cientificos/artigo/item/250-convid-pesquisa-de-comportamentos-da-fiocruz

https://cisa.org.br/index.php/sua-saude/informativos/artigo/item/245-alcool-e-covid-19-o-que-voce-precisa-saber-segundo-oms

https://cisa.org.br/index.php/sua-saude/informativos/artigo/item/253-por-que-controlar-consumo-de-alcool-durante-quarentena

 

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CISA, Centro de Informações sobre Saúde e Álcool