Ressaca: causa e sintomas

14 Janeiro 2022

 

Entenda quais são as causas, quando surge e quais são os principais sintomas da ressaca.

A ressaca é uma “combinação de sintomas mentais e físicos que podem ser experimentados no dia seguinte a um episódio de consumo de álcool, começando quando a concentração de álcool no sangue (CAS) se aproxima de zero”1. A causa desses sintomas é atribuída, principalmente, ao acetaldeído, principal produto da metabolização do álcool2,3.

Estudos apontam que o número de pessoas que sofrem de ressaca é alto: 78% de prevalência ocorre entre todos os tipos de bebedores4. Já entre os bebedores pesados, a incidência é ainda maior: 90% dos que declararam beber neste padrão (definido pelo estudo5 como o consumo de 5 ou mais doses em uma única ocasião) haviam sofrido com esse problema.

A quantidade de álcool ingerida está diretamente relacionada aos sintomas da ressaca. Uma revisão da literatura científica6 sugere que ela pode ocorrer após qualquer quantidade de álcool, mas que é mais provável quando um indivíduo bebe substancialmente mais do que costuma em ocasiões que não resultam em ressaca. Veja na tabela abaixo a relação aproximada entre CAS, número de doses e os efeitos do álcool no organismo:

Quando começam e quais são os sintomas da ressaca?

Os sintomas da ressaca costumam ter início cerca de 6 a 8 horas após a ingestão de bebidas alcoólicas e podem durar, em média, até 24 horas. Nesse período, podem ocorrer diversas reações no corpo, como dor de cabeça, problemas de concentração, tontura, tremores, falta de apetite, ansiedade, irritabilidade e outras como:

  • Desidratação, que causa sede, sensação de boca seca, e dores musculares decorrentes da perda de eletrólitos;
  • Aumento da produção de suco gástrico que pode causar irritação gastrintestinal e resultar em dor abdominal, náusea e vômitos.
  • Hipoglicemia induzida pelo álcool, que pode afetar o funcionamento cerebral, levando ao cansaço e mudanças de humor observados na ressaca.
  • Alterações no padrão do sono, bem como na sua qualidade, levando à fadiga e a alterações no ritmo circadiano.

A intensidade dos sintomas pode variar de pessoa para pessoa, dependendo de características fisiológicas (estrutura física, sexo, vulnerabilidade genética, idade e condição de saúde), aspectos do beber (quantidade e frequência, qualidade da bebida e ingestão de água e alimentos) e do contexto do consumo (beber em grupo ou em ambientes que estimulam o consumo).2

Diversos fatores influenciam a gravidade dos sintomas, entre eles: 

  • Efeitos diretos do álcool: desidratação, desiquilíbrio eletrolítico, perturbações gastrointestinais, diminuição do açúcar no sangue, prejuízos no sono;
  • Abstinência de álcool: diversas evidências sugerem que a ressaca seja uma manifestação leve de síndrome de abstinência do álcool em pessoas não dependentes de álcool;
  • Componentes genéticos, incluindo histórico de dependência de álcool na família;
  • Presença de congêneres na bebida: subprodutos do processo de fermentação, como o metanol, e outros aditivos, como o zinco - utilizado como adoçante artificial ou para realçar o sabor das bebidas - podem agravar a ressaca;
  • Uso de outras drogas.

 

Existe cura ou tratamento?

Além das dicas populares, como tomar café, um banho frio, entre outras, é fácil encontrar para vender suplementos dietéticos que tem como objetivo reduzir a gravidade dos sintomas da ressaca. Entretanto, não existem evidências científicas que comprovem a eficácia desses produtos.

Isso significa que não há tratamento para a ressaca Logo, a melhor alternativa para evitar os prejuízos associados ao consumo abusivo de álcool e à ressaca é a abstenção ou o consumo moderado. Se, apesar de todos os alertas, houver abuso ou excessos, a melhor opção é aguardar o processo de metabolização do organismo e, em casos mais graves, buscar apoio de um médico ou especialista.

 

Veja também Ressaca: efeitos da intoxicação aguda por álcool 

 

 

 

Additional Info

  • Referências:
    1. Verster JC, van Rossum CJI, Scholey A. Unknown safety and efficacy of alcohol hangover treatments puts consumers at risk. Addict Behav. 2021 Nov;122:107029. doi: 10.1016/j.addbeh.2021.107029. Epub 2021 Jun 27. PMID: 34225031.
    2. Span & Earleywine, 1999. Familial risk for alcoholism and hangover symptoms. Addict Behav 24:121-125.
    3. Earleywine, 1993. Personality risk for alcoholism covaries with hangover symptoms. Addict Behav 18:415-420.
    4. Swift & Davidson, 1998. Alcohol Hangover – Mechanisms and mediators. Alcohol Health Res World 22:54-60.
    5. Stephens et al., 2008. A review of the literature on the cognitive effects of alcohol hangover. Alcohol Alcohol 43:163-170.
    6. Howland et al., 2008. Are some drinkers resistant to hangover? A literature review. Curr Drugs Abuse Rev 1:42-46.

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