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O impacto da ressaca em homens e em mulheres

21 Outubro 2022

Estudos relatam que a frequência e gravidade da ressaca podem mudar de acordo com a idade e o sexo do bebedor

 A ressaca é uma combinação de sintomas físicos e mentais negativos experimentados por pessoas após um único episódio de consumo abusivo do álcool. Ela tem início quando a concentração de álcool no sangue se aproxima de zero, cerca de 6 a 8 horas após a ingestão de bebidas alcoólicas e pode durar até 24 horas.

O consumo nocivo de álcool costuma ter início ainda na adolescência e pode continuar até a velhice. Em geral, jovens consomem mais álcool do que os bebedores mais velhos, e homens mais do que as mulheres. E você sabia que a ressaca pode ter impactos diferentes de acordo com o sexo e a idade da pessoa que bebe?

Ressaca, idade e sexo

Uma pesquisa1 realizada virtualmente, por meio do Facebook, com o objetivo de verificar a relação entre idade e gravidade e frequência da ressaca, coletou dados relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas de 761 holandeses com idades entre 18 e 94 anos, sendo 61,6% desses do sexo feminino.

Ao olhar para a quantidade de álcool ingerida, a pesquisa demonstrou que os grupos mais jovens apresentaram um consumo maior do que os mais velhos tanto em homens quanto em mulheres. Além disso, a gravidade da ressaca dos grupos etários mais jovens foi significativamente superior em relação aos mais velhos, tanto em homens quanto em mulheres. Homens consumiram mais álcool do que as mulheres e, consequentemente, relataram mais sintomas de ressaca do que elas. As correlações observadas entre a idade e os resultados de consumo em situações de beber pesado episódico foram mais fortes nos homens em comparação às mulheres, além disso, a correlação entre idade e frequência de ressaca foi significativamente maior entre eles do que entre elas.

Outro estudo2 avaliou possíveis diferenças sexuais na presença e gravidade dos sintomas da ressaca alcoólica em um grupo de 1.765 estudantes holandeses (895 homens; 870 mulheres), com faixa etária de 18 a 30 anos de idade.  No estudo, os participantes relataram a presença e a gravidade de 22 sintomas de ressaca experimentados após a ocasião de consumo mais pesado do mês anterior à pesquisa.

Os participantes foram divididos de acordo com a sua concentração de álcool no sangue e a presença e gravidade dos sintomas da ressaca foram comparadas entre homens e mulheres. No grupo com a concentração mais baixa e a mais alta no sangue, não foram encontradas diferenças entre os sexos. No entanto, nos grupos com concentrações de álcool intermediárias, as mulheres relataram maior gravidade dos seguintes sintomas: náusea, cansaço, fraqueza, tontura e tremores. Já os homens relataram a presença de confusão significativamente mais frequentemente do que as mulheres.

Os autores relatam que em todos os grupos, os escores de gravidade de náusea e cansaço foram maiores nas mulheres do que nos homens. Mesmo assim, embora estatisticamente significativas, as diferenças entre os sexos observadas na presença e gravidade dos sintomas da ressaca foram de pequena magnitude. Lembrando que as mulheres possuem menos enzimas que metabolizam o álcool no fígado e menor quantidade de água em seu organismo, por isso, são consideradas mais vulneráveis aos efeitos do álcool do que os homens. 

 

Como evitar a ressaca?

Sabemos que não há cura para a ressaca, portanto o melhor tratamento para evitar as consequências associadas ao consumo abusivo do álcool em qualquer idade é a abstenção ou o consumo moderado.

Mas se você, mesmo assim, abusou ou bebeu em excesso numa ocasião, a única opção é aguardar o processo de metabolização do álcool no organismo e, em casos mais graves, buscar apoio de um médico ou especialista.

 

Additional Info

  • Referências:

    1. Joris C Verster, Noortje R Severeijns, Annabel S M Sips, Hama M Saeed, Sarah Benson, Andrew Scholey, Gillian Bruce, Alcohol Hangover Across the Lifespan: Impact Of Sex and Age, Alcohol and Alcoholism, Volume 56, Issue 5, September 2021, Pages 589–598, https://doi.org/10.1093/alcalc/agab027

    2. van Lawick van Pabst, Albertine E., Lydia E. Devenney, and Joris C. Verster. "Sex differences in the presence and severity of alcohol hangover symptoms." Journal of clinical medicine 8.6 (2019): 867

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