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Entenda a diferença entre consumo abusivo de álcool e dependência

20 Julho 2022

 

Pesquisa realizada pelo Ipec mostrou que há desconhecimento entre os entrevistados e isso afeta a prevenção do uso nocivo de álcool

De acordo com a pesquisa “Por que as pessoas bebem?”, realizada pelo Ipec a pedido do CISA, a maior parte dos entrevistados acredita que o consumo abusivo de bebida alcoólica e a dependência de álcool são a mesma coisa. No entanto, não são e é fundamental entender a diferença para minimizar os riscos à saúde.

“Sem conhecimento e informação de qualidade, as pessoas que optarem por beber dificilmente poderão fazer escolhas mais saudáveis ao adotar padrões menos prejudiciais de consumo, o que pode impactar na prevenção de doenças e lesões associadas ao uso de álcool. Por isso a importância desses achados”, ressalta o psiquiatra e presidente executivo do CISA, Arthur Guerra.

Entre as descobertas da pesquisa está o fato de os participantes discordarem dos parâmetros definidos pela OMS para o consumo abusivo por considerarem as referências quantitativas de bebida alcoólica “muito baixas” e também relatarem não acreditar que o consumo nessas quantidades ofereça danos à saúde. 

Foi apresentado aos entrevistados que o consumo abusivo de álcool é equivalente, por exemplo, à ingestão de cinco chopes no happy hour do trabalho às sextas-feiras ou no futebol de domingo OU uma garrafa de vinho no jantar do sábado OU cinco shots de destilado (cachaça, gim, uísque, tequila) numa festa.

“Eu acho que é um critério bastante subjetivo, porque o que seria o excesso do álcool? Deixar sem consciência nenhuma? Deixar um pouco alterado? Não acho que beber uma garrafa de vinho todos os sábados seja exatamente um excesso de álcool”, relatou uma das entrevistadas, uma mulher na faixa etária de 18 a 25 anos. Outra participante, uma mulher na faixa etária de 35 a 45 anos, relatou achar pouco e que “esses copos de chopp, em uma sexta-feira, eu bebo em meia hora”. Já um homem, da faixa etária de 50 anos ou mais, disse: “Eu acho que essa quantidade está bem normal, bem tranquila. Não acho exagero, não. Para tornar abusivo, acho que o dobro disso aí seria abusivo.”

 

Consumo abusivo x Dependência alcoólica

Entender a diferença consumo abusivo de álcool e dependência de álcool (alcoolismo) e conhecer melhor esses conceitos é importante para que quem decidir beber (exceto indivíduos em situações de álcool zero) faça escolhas mais conscientes para diminuir os riscos dos efeitos negativos do álcool à saúde.

A dependência é uma doença crônica e multifatorial, e um dos transtornos mentais mais comuns relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas. É definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após o uso repetido de álcool. No Brasil, 1,4% da população sofre com a dependência de álcool (OMS, 2018). Alguns sintomas são o forte desejo de beber e não conseguir parar de beber depois de ter começado. 

Já o consumo abusivo de álcool, também conhecido como Beber Pesado Episódico (BPE) ou binge drinking, é definido pela OMS como o consumo de 60 g ou mais de álcool puro (cerca de 4 doses ou mais), em pelo menos uma ocasião no último mês. No Brasil, o Ministério da Saúde considera uma diferenciação entre mulheres (ingestão de 4 ou mais doses) e homens (consumo de 5 ou mais doses). “Para um fácil entendimento é quando a pessoa ingere grandes volumes de bebida alcoólica em um curto espaço de tempo; normalmente o que ocorre em maior frequência em churrascos, happy hours e eventos sociais”, explica Guerra.

 

* Cada tipo de bebida representada ao lado equivale a 1 dose padrão de álcool, definida como aproximadamente 14g de álcool puro. A porcentagem de álcool ainda pode variar dentro do mesmo tipo de bebida (por exemplo, há cervejas com teor alcoólico de 3,5% e outras com 6%, mas a maioria tem cerca de 5%).

 

O consumo abusivo de álcool é um padrão nocivo de uso de álcool e, diferente do que a maioria dos entrevistados da pesquisa do Ipec acredita, ele está associado a danos de curto e longo prazo à saúde. Quanto mais frequente, maior o impacto negativo do álcool em diversos órgãos e sistemas, especialmente: trato gastrointestinal, fígado, pâncreas, sistema nervoso e sistema cardiovascular. No Brasil, 18,3% da população relatou uso abusivo em 2021. 

Pesquisa “Por que as pessoas bebem?”

Realizada pelo Ipec, a pesquisa teve como objetivo contribuir para aprofundar o entendimento dos padrões e contextos do consumo de álcool no país. Para isso, ouviu homens e mulheres, maiores de 18 anos, das classes sociais A, B e C, considerados “bebedores moderados ou abusivos” e divididos em três grupos por faixa etária 18 a 25 anos, 35 a 45 anos e 50 anos ou mais. Foram realizadas seis sessões de discussão em grupo on-line com oito participantes em cada um via plataforma digital Zoom, com moradores das cidades de São Paulo (SP), Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS), entre os dias 18 e 20 de janeiro de 2022.

A pesquisa trouxe ainda outros destaques, como a motivação dos entrevistados para o consumo de álcool, tipos de bebidas mais consumidas e marcos que influenciaram o uso de álcool, entre outros. 

Para conferir a pesquisa completa, baixe gratuitamente a publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2022.

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