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O impacto do consumo de álcool em pessoas trans

11 Julho 2022

 

Os limites de consumo de álcool costumam ser pautados em diferenças entre os sexos. Nesse sentido, como pessoas trans devem seguir tais recomendações?

Estudos que buscam definir padrões de consumo de álcool e seus riscos costumam categorizar os limites de acordo com o sexo. Isso ocorre porque o organismo feminino tem, na média, menor quantidade de água (total e percentual) e menor quantidade de enzimas que metabolizam o álcool. Desse modo, bebendo menos álcool, pessoas do sexo feminino conseguem atingir concentrações de álcool no sangue similares ao que é observado em pessoas do sexo masculino.

 No que se refere ao gênero, também foram observadas diferenças nas maneiras como homens e mulheres consomem álcool; tais estudos, contudo, focam-se em populações cisgênero, isto é, pessoas cuja identidade de gênero (“homem” ou “mulher”) está em conformidade com a identidade de gênero socialmente atribuída ao sexo biológico; pessoas transgênero, por sua vez, são aquelas cuja identidade de gênero está em oposição ao gênero socialmente atribuído ao sexo biológico. Uma revisão da literatura científica feita em 2018 aponta a necessidade de estudos com foco em minorias de gênero para que se possa compreender melhor os limites e os efeitos do consumo do álcool em pessoas transgênero e outras populações com inconformidade de gênero1.

 Contudo, embora não existam padrões definidos de consumo para estas minorias de gênero, existem algumas recomendações de prudência que podem ajudar a pautar o consumo. Estas recomendações devem levar em considerações tanto aspectos fisiológicos quanto psicológicos. Nesse sentido, as recomendações são as seguintes:

 1 – Homens e mulheres transgênero que estejam passando por terapia de reposição hormonal devem seguir a recomendação de “álcool zero”, pois o consumo de álcool pode interferir no tratamento e colocar a pessoa em maior risco de transtornos relacionados ao uso de álcool2.

 2 – É recomendável que homens e mulheres transgênero que não estejam fazendo terapia de reposição hormonal, e que desejam beber, consumam o máximo de uma dose de álcool por ocasião. Esta recomendação pauta-se no que é indicado a outras populações com maior risco, como idosos e pessoas do sexo feminino. Reitera-se a carência de estudos e guias para prover o melhor cuidado e recomendação para a população transgênero1,3.

 

Cabe lembrar que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe um padrão de consumo de álcool que seja absolutamente seguro4. As recomendações de consumo, para pessoas cis ou trans, visam diminuir os riscos, e não os eliminar.

 Se quiser saber mais sobre consumo moderado, veja nosso artigo sobre o assunto.

 

Additional Info

  • Referências:
    1. Gilbert PA, Pass LE, Keuroghlian AS, Greenfield TK, Reisner SL. Alcohol research with transgender populations: A systematic review and recommendations to strengthen future studies. Drug Alcohol Depend. 2018 May 1;186:138–46.
    2. Tomita KK, Testa RJ, Balsam KF. Gender-affirming medical interventions and mental health in transgender adults. Psychol Sex Orientat Gend Divers. 2019 Jun 1;6(2):182–93.
    3. Greaves L, Poole N, Brabete AC. Sex, Gender, and Alcohol Use: Implications for Women and Low-Risk Drinking Guidelines. Int J Environ Res Public Heal 2022, Vol 19, Page 4523 [Internet]. 2022 Apr 8 [cited 2022 Jul 5];19(8):4523. Available from: https://www.mdpi.com/1660-4601/19/8/4523/htm
    4. OMS. Global status report on alcohol and health 2018. Geneva: World Health Organization; 2018. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO. [Internet]. Poznyak V, Rekve D, editors. 2018 [cited 2020 Apr 15]. 478 p. Available from: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/274603/9789241565639-eng.pdf?ua=1

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