Álcool e sono

maio 12, 2020

O sono é essencial para nossa saúde física e mental, e sua alteração pode piorar diversos quadros de saúde, como diabetes, doenças renais, cardíacas e depressão. A relação causal entre os distúrbios de sono e o consumo do álcool parece ser mutuamente reforçadora: a dependência dessa substância pode causar ou piorar distúrbios do sono, criando um círculo vicioso. Em uma revisão narrativa da literatura científica, Reid-Verley et al. (2020) discutem as interações entre consumo de álcool e sono.

Com as pessoas ficando mais em casa nas últimas semanas, alerta-se para o aumento de violência doméstica e o consumo nocivo de álcool como um fator de risco para esse tipo de agressão.

Confira os dados da PNS 2019 sobre o uso de bebidas alcoólicas pelos brasileiros.

 

Foram divulgados pelo IBGE os dados de consumo de álcool e outros parâmetros de saúde da população adulta brasileira, coletados em 20191.

Em comparação com a PNS realizada em 2013, houve um aumento do consumo semanal de bebidas alcoólicas em 2019 (de 23,9% para 26%). Isso foi impulsionado principalmente pelas mulheres, cujo indicador passou de 12,9% para 17%, um aumento de 4,1 pontos percentuais no consumo de álcool semanal2. Como já alertado pelo CISA, as mulheres são mais sensíveis ao álcool do que os homens e isso pode trazer complicações importantes para a saúde. Os dados da PNS 2019 são consistentes com outras pesquisas que indicam o crescimento do uso de álcool nessa população e reforçam a necessidade de estratégias de prevenção específicas.

Outro fator preocupante apresentado pelo IBGE foi o beber e dirigir: 17% dos motoristas brasileiros relataram tal comportamento. Como divulgado pelo CISA, essa combinação pode ser fatal, sendo um relevante fator de risco para acidentes no trânsito. Essas prevalências não são homogêneas em toda a federação, assumindo valores mais altos na região norte (23%). Ainda assim, a menor prevalência de “beber e dirigir” foi de 14,8%, observada nas regiões sul e sudeste, o que é muito preocupante, principalmente levando em consideração que, somadas, as regiões abarcam mais da metade da população brasileira.

 

 

 

 

Aumento do consumo de álcool durante a pandemia foi associado a sintomas de depressão e ansiedade