Marcadores biológicos relacionados ao consumo de álcool

4 junho, 2014

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Os marcadores biológicos do consumo de álcool são indicadores fisiológicos da exposição ou ingestão do álcool. Embora até o momento não exista um marcador que identifique diretamente o alcoolismo, eles conseguem refletir o uso crônico e indicar altos níveis do consumo de bebidas alcoólicas. Sua maior contribução é a possibilidade de uma medida objetiva, necessária em algumas situações, como:

  • Detectar problemas com o álcool, principalmente em indivíduos relutantes, incapazes de fornecer informações precisas em relação ao seu consumo ou que para quem a abstinência seja uma exigência judicial;
  • Motivar o paciente ao tratamento, ao conseguir evidenciar concretamente o prejuízo para a saúde ou ainda pela conscientização do benefício consequentente da abstinência;
  • Monitorar o consumo, isto é, reaídas, lapsos e abstinência, o que configura importante peça no tratamento e ainda para o seguimento de pessoas para quem a abstinência é exigida judicialmente;
  • Estudos clínicos para avaliar novos medicamentos ou abordagens terapêuticas para a abstinência.

Vale ressaltar que os biomarcadores não substituem a anamnese e o autorrelato visto que outros produtos que contém álcool em sua composição, como higienizadores bucais por exemplo, podem alterar os biomarcadores.

Existem duas categorias de biomarcadores: tradicionais e diretos.

Os tradicionais geralmente são considerados de natureza indireta, porque sugerem o consumo excessivo de álcool pela detecção dos efeitos tóxicos que o álcool pode induzir nos órgãos ou na química do corpo. Atualmente no Brasil, os marcadores biológicos usados em estudos científicos e como parâmetro para mensurar o uso de álcool contemplam basicamente os pertencentes a este grupo, sendo os mais conhecidos:

  • Gama-glutamiltransferase (GGT);
  • Aspartato aminotransferase (AST);
  • Alanina aminotransferase (ALT);
  • Volume corpuscular médio (VCM);
  • Transferrina deficiente de carboidrato (CDT).

Os três primeiros se referem a enzimas produzidas pelo fígado que são dosadas no sangue, cuja elevação se relaciona com danos físicos decorrentes do uso de álcool (ex: morte das células), medicamentos, prescritos ou substâncias tóxicas. O VCM refere-se ao tamanho médio das hemáceas, que pode se mostrar elevado também por diversos motivos, incluindo o uso pesado de álcool. Apesar de serem amplamente utilizados, esses quatro marcadores não são muito sensíveis e, com isso, mesmo bebedores pesados podem não apresentar alterações.

O CDT é um marcador já amplamente utilizado nos EUA. Embora os mecanismos responsáveis pela elevação do CDT ainda não estejam claramente definidos, o uso pesado de álcool por cerca de 2 semanas pode levar ao seu aparecimento. Sua medida é feita em percentual, ou seja, considera diferenças de cada indivíduo em relação à quantidade basal, pré-existente de CDT. A vantagem deste, comparado aos citados anteriormente, é o fato de poucos fatores, além do uso pesado de álcool, levarem à sua alteração (maior especificidade).

Já os marcadores biológicos diretos recebem esta denominação por serem metabólitos do álcool. Embora grande parte do álcool seja metabolizada por processos oxidativos no fígado, uma pequena quantidade é quebrada de maneira não oxidativa, criando, assim, "resíduos" que podem ser medidos no sangue ou na urina por um período mais longo do que apenas aquele quando o álcool está de fato presente no organismo. Entre eles, destacam-se:

  • Etilglicuronídeo (EtG);
  • Etil sulfato (EtS);
  • Fosfatidil etanol (PEth);
  • Etil Ésteres de Ácidos Graxos (FAEE).

Embora o EtG e o EtS estejam presentes em todo o fluido corporal, eles geralmente são medidos na urina. São altamente sensíveis, podendo apresentar resultados positivos mesmo quando são consumidas pequenas quantidades de álcool, permanecendo detectáveis até 2 dias após o uso. Dada a sua alta sensibilidade, deve-se atentar ao uso de produtos que contenham álcool, para não influenciar o resultado. Ademais, ambos são marcadores relativamente novos e, portanto, mais estudos são necessários.

Outro marcador promissor é o PEth, medido no sangue e que pode ser identificado até 3 semanas após o uso pesado (3 a 4 doses por dia, durante vários dias). O FAEE, por sua vez, é frequentemente analisado a partir de amostras da superfície da pele ou cabelo, e é detectado de 7 a 9 dias após o consumo de grandes quantidades de álcool.

O quadro abaixo mostra uma visão geral dos principais marcadores biológicos do álcool e indicações de uso.

Quadro 1. Principais marcadores biológicos do álcool*.

*Adaptado de SAMHSA, 2012; Hashimoto et al., 2013.

Geralmente, os marcadores biológicos do alcoolismo são avaliados simultaneamente por cada um apresentar pontos fortes e limitações. Entre as combinações mais utilizadas, estão: CDT e GGT; GGT e VCM; EtG e EtS (esta última parece ser a combinação que oferece maior sensibilidade que qualquer outro marcador isolado).

Considerando a ampla aplicabilidade desses marcadores biológicos, conclui-se que são uma ferramenta valiosa, que uma vez somada aos autorrelatos dos pacientes e/ou informações obtidas da anamnese realizada por um profissional especializado, auxiliam no diagnóstico e acompanhamento de problemas decorrentes do uso do álcool.

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