Qual o impacto do álcool na atividade física?

19 novembro, 2021

 

Confira a entrevista com a médica e atleta, Luciana Haddad sobre a relação álcool e prática esportiva.

O CISA conversou com a médica livre docente da Faculdade de Medicina da USP, Luciana Haddad, sobre o impacto do álcool na atividade física. Além de cirurgiã do departamento de transplante de fígado do Hospital das Clínicas (HC FMUSP), Luciana é uma apaixonada por esporte. Ela é triatleta, corredora e maratonista. Em suas redes sociais, compartilha com seus seguidores conhecimento sobre esporte, qualidade de vida, bem-estar e saúde com informações sempre baseadas na ciência.

  

1) Ao longo da sua trajetória como atleta, médica e pesquisadora, o que você destacaria sobre o impacto do álcool na prática esportiva?  

O impacto do álcool é muito variável. Tem pessoas que fazem o uso social do álcool, de forma moderada, controlada e que não tem nenhum impacto, não atrapalha na prática esportiva, ela consegue treinar e até performar. Mas, há pessoas com o mesmo padrão de consumo e que podem sofrer um impacto negativo na qualidade do treino, na recuperação, porque a gente sabe que o álcool tem sim um impacto quando consumido principalmente em quantidade maior ou de forma mais frequente. Então, é muito heterogêneo, depende da individualidade de cada um e da forma como esse consumo é feito.

 

2) Tem algum mito sobre essa relação álcool e atividade física que ainda persiste entre os atletas? 

O mito que existe é o uso da cerveja como hidratação. Muitas pessoas acreditam que no pós-prova ou pós-treino pode tomar uma cervejinha e isso vai ajudar a hidratar. Na verdade, qualquer tipo de álcool tem um efeito diurético e acaba colaborando para piorar a desidratação. Então, nunca é aconselhável usar uma bebida alcoólica com o intuito de se hidratar no pós-treino.

 

3) Qual é a dúvida mais comum dos seus seguidores sobre o uso de álcool por atletas e qual a resposta para ela? 

A dúvida mais comum é em relação ao impacto do álcool nos treinos e, de novo, essa resposta depende muito de uma característica individual e também da quantidade e do horário do consumo. O consumo imediatamente pré-treino traz um prejuízo motor, cognitivo e desidratação, mas um consumo, por exemplo, na véspera, na antevéspera, se for uma quantidade pequena, pode não ter prejuízo. E um consumo muito frequente, que começa a ter repercussões mais crônicas, aí sim pode ser muito negativo para a prática esportiva e fica difícil conciliar o esporte quando o uso é mais intenso e mais frequente.

 

 

4) Quais as principais dicas que você daria para quem faz atividade física e não abre mão de beber num padrão moderado?

Primeiro, nunca beber imediatamente antes de um treino, sempre ter um intervalo de, pelo menos, uma noite. Caprichar no consumo de água e na alimentação quando fizer uso de álcool. Isso vale também no pós-treino: se você quiser tomar uma bebida alcoólica depois de ter treinado, fazer bastante hidratação com água ou alguma outra bebida com eletrólitos, junto com o consumo de álcool. Então, não fazer o uso exclusivo de álcool e também caprichar na reposição energética e no consumo de carboidrato e proteína. 

 

5)  A prática regular de atividades físicas pode minimizar os riscos associados ao uso de álcool?

A prática de atividade física sempre vai ajudar em qualquer questão de saúde. A gente sabe, por exemplo, que o álcool pode levar a uma série de doenças hepáticas e pancreáticas e, nesse contexto, a atividade física contribui, principalmente com o combate à obesidade e ao acúmulo de gordura no fígado. Além disso, a prática esportiva também tira um pouco o foco da exposição à bebida alcoólica. Então, em geral, quem pratica atividade física acaba consumindo menos álcool, até pelo estilo de vida. Com certeza, tem sempre um fator positivo.

 

 

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Additional Info

  • Referências:
    1. Meroni M, Longo M, Dongiovanni P. Alcohol or Gut Microbiota: Who Is the Guilty? International Journal of Molecular Sciences. 2019;20(18). doi:10.3390/ijms20184568
    2. AW Y, DE F, J B, et al. Enteric dysbiosis associated with a mouse model of alcoholic liver disease. Hepatology (Baltimore, Md). 2011;53(1):96-105. doi:10.1002/HEP.24018
    3. Bajaj JS. Alcohol, liver disease and the gut microbiota. Nature Reviews Gastroenterology and Hepatology. 2019;16(4):235-246. doi:10.1038/s41575-018-0099-1
    4. JS B, PB H. Gut-liver axis alterations in alcoholic liver disease: Are bile acids the answer? Hepatology (Baltimore, Md). 2018;67(6):2074-2075. doi:10.1002/HEP.29760
    5. Bajaj JS, Gavis EA, Fagan A, et al. A Randomized Clinical Trial of Fecal Microbiota Transplant for Alcohol Use Disorder. Hepatology. 2021;73(5):1688-1700. doi:10.1002/hep.31496

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