Como as mulheres estão bebendo?

2 abril, 2019

O uso de álcool tem aumentado entre elas, não só em relação à quantidade, mas também à frequência.

Historicamente, o maior consumo de álcool sempre foi atribuído aos homens. Nos últimos anos, porém, as mulheres têm aumentado significativamente esse uso, não só em relação à quantidade, mas também à frequência. Essa equiparação do consumo de álcool levanta uma série de preocupações, pois pode representar desigualdade nos resultados para a saúde, uma vez que as mulheres têm maior probabilidade de ter problemas relacionados ao álcool com níveis de consumo mais baixos e/ou em idade mais precoce do que os homens.

Diferenças fisiológicas entre homens e mulheres também influenciam este processo: o organismo feminino apresenta menores níveis de enzimas responsáveis pela metabolização do álcool, o que faz com que a substância demore mais tempo para ser eliminada. Além disso, tem proporcionalmente menor quantidade de água que o corpo masculino, de modo que o etanol fica mais concentrado em seu organismo, agravando os efeitos.

Na comparação com 2010, o ano de 2016 se encerrou com 91 mil mulheres a mais, em todo o mundo, afirmando consumir álcool - mesmo em um cenário de queda global, na qual a prevalência mundial de consumo caiu de 37,3% para 32,3%. Apesar da prevalência de transtornos relacionados ao uso de álcool (abuso e dependência) ainda ser maior entre homens (8,6%, cerca de 237 milhões de homens) do que mulheres (1,7%, cerca de 46 milhões de mulheres), esses danos podem convergir no futuro.

Dados disponibilizados no sistema Datasus indicaram que as internações parcial ou totalmente atribuíveis ao álcool entre mulheres aumentaram 10,48% no período de 2010 a 2016, enquanto entre os homens houve redução de 2,34%. Nas faixas etárias até 34 anos, para ambos os sexos, houve redução na proporção de internações parcial ou totalmente atribuíveis ao álcool; já na faixa de 35-54 anos, tais internações reduziram 11,58% entre os homens, mas aumentaram 2,60% entre as mulheres. Esses dados ilustram o aumento de consequências negativas associadas ao álcool entre elas. A tabela a seguir, extraída da publicação Álcool e a saúde dos brasileiros: Panorama 2019, mostra a razão das porcentagens de internações parcial ou totalmente atribuíveis ao álcool entre homens e mulheres.

Considerando todas as idades, os óbitos parcial ou totalmente atribuíveis ao álcool aumentaram 2,8 vezes mais entre mulheres (13,53%) que entre os homens (4,82%) no período de 2010 a 2016, em concordância com os dados de internações.  A tabela a seguir, mostra a razão das porcentagens de óbitos parcial ou totalmente atribuíveis ao álcool entre homens e mulheres.

O uso excessivo de álcool por mulheres aumenta o risco para câncer de mama e doenças cardíacas, além de outros problemas a curto prazo. Trata-se de um cenário relativamente novo e é preciso direcionar a atenção para medir os problemas associados já conhecidos e possivelmente novos problemas que possam surgir. Os dados acima citados refletem a necessidade de maior conscientização da população geral e consequentemente de investimentos em programas de prevenção específicos e adequados para este grupo.

Additional Info

  • Referencias:

    Centro de Informações sobre Saúde e Álcool - CISA. "Álcool e a saúde dos brasileiros: Panorama 2019".

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