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Alcoolismo entre as mulheres

20 Janeiro 2023

 

Entenda as individualidades do tratamento por uso de álcool em relação a saúde da mulher.

O papel da mulher na sociedade foi ampliado nas últimas décadas, em consequência, questões sociais e culturais sofreram importantes modificações, como o comportamento de beber, por exemplo. Observa-se um aumento do consumo de álcool entre as mulheres, fato que necessita de atenção, visto que as consequências do uso nocivo de álcool no organismo feminino não são totalmente definidas.

Os efeitos do consumo de álcool na mulher apresentam várias especificidades devido a momentos como o ciclo menstrual, gestação e amamentação.1 Além desses momentos específicos, é observado que fatores sociais como a maternidade e a ocupação da mulher no mercado de trabalho podem favorecer a individualidade do diagnóstico e do tratamento. Os fatores orgânicos, como a composição corporal de água no organismo, anatomia, absorção, metabolismo e presença de hormônios, influenciam diretamente as consequências negativas em relação ao consumo de álcool, mesmo em menores quantidades consumidas quando comparadas aos homens.

Questões relacionadas ao gênero e sexo, embora culturalmente dependentes, indicam que, para o sexo feminino, há uma maior vulnerabilidade à agressão sexual, violência por parceiro íntimo, além de normas e estereótipos de gênero mais negativos sobre o uso de álcool por mulheres.2

Um decreto publicado pelo National Institutes of Health, nos Estados Unidos, em 1994, determinou que pesquisas clínicas deveriam incluir mais participantes do sexo feminino, o que levou a um desenvolvimento de estudos voltados para saúde das mulheres.3 Porém, mulheres ainda são identificadas como uma população pouco pesquisada no que se refere ao consumo de álcool. Nos Estados Unidos, apenas 15% das mulheres com transtorno por uso de álcool procuraram tratamento. Também é observado que o tempo entre o primeiro uso de álcool até o início dos problemas relacionados ao álcool é mais curto entre mulheres do que em homens.4

O tratamento para transtornos por uso de álcool nas mulheres apresenta necessidades que diferem dos homens. Elas também enfrentam algumas barreiras únicas para o acesso. Essas barreiras podem explicar parcialmente a discrepância de gênero nas taxas de início de tratamento, incluindo: baixa percepção da necessidade de tratamento, culpa e vergonha decorrentes das expectativas tradicionais de gênero, e estigma social das mulheres com dependência de álcool, depressão e outras comorbidades psiquiátricas, maiores disparidades de emprego e educação em relação aos homens e responsabilidade de cuidados dos filhos, com medo de serviços de proteção à criança.5

As necessidades específicas das mulheres devem fazer parte do tratamento, incluindo a prestação de cuidados infantis nos locais de atendimento, cuidados pré-natais, ambientes exclusivos femininos e a presença de serviços complementares que abordem tópicos voltados para mulheres. O tratamento farmacológico também necessita ser melhor investigado, pois, na medida em que há diferença na forma de metabolizar o álcool no organismo das mulheres, esse processo e respostas a medicações devem ser exploradas e investigadas.

Os grupos de acolhimento, como Alcoólicos Anônimos, podem fazer parte do tratamento. Em sua maioria, esses grupos são mistos, o que pode inibir a fala das mulheres e reduzir a frequência nas reuniões. Por essa razão, houve a iniciativa em algumas cidades de oferecerem reuniões específicas para mulheres, proporcionando um ambiente acolhedor e de identificação entre as participantes. Essas reuniões também acontecem em ambiente virtual, todos os dias (www.aa.org.br).
 
Portanto, a inclusão de orientações específicas de sexo e gênero para o tratamento desses problemas, assim como difusão do conhecimento e envolvimento dos indivíduos na auto avaliação de risco de uso de álcool devem ser consideradas abordagens fundamentais de promoção da saúde.

 

Veja também Impactos do álcool na saúde da mulher

 

 

Additional Info

  • Referências:

    1- Drugs and Lactation Database (LactMed) [Internet]. Bethesda (MD): National Institute of Child Health and Human Development; 2006–. Alcohol. 2022 Jan 18. PMID: 30000529.

    2- Greaves L, Poole N, Brabete AC. Sex, Gender, and Alcohol Use: Implications for Women and Low-Risk Drinking Guidelines. Int J Environ Res Public Health. 2022 Apr 8;19(8):4523. doi: 10.3390/ijerph19084523. PMID: 35457389; PMCID: PMC9028341.

    3- Food and Drug Administration, National Institutes of Health, Department of Health and Human Services. NIH Guidelines on the Inclusion of Women and Minorities as Subjects in Clinical Research. 1994.

    4- Fama R., Le Berre A.-P., Sullivan E.V. Alcohol’s Unique Effects on Cognition in Women: A 2020 (Re)view to Envision Future Research and Treatment. Alcohol Res. 2020;40:3. doi: 10.35946/arcr.v40.2.03.

    5- McCrady BS, Epstein EE, Fokas KF. Treatment Interventions for Women With Alcohol Use Disorder. Alcohol Res. 2020 Jul 30;40(2):08. doi: 10.35946/arcr.v40.2.08. PMID: 32742894; PMCID: PMC7384374.

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