O consumo de bebidas alcoólicas é prejudicial para pacientes HIV

7 outubro, 2004

Estudo investiga se o uso ou o abuso de bebidas alcoólicas influencia na progressão da infecção pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e a sobrevivência dos pacientes.

O consumo excessivo de álcool é comum entre pacientes soropositivos para o HIV, e está associado a uma pior aderência ao tratamento, maior risco para o desenvolvimento de problemas no fígado e adoção de comportamentos sexuais de risco. Estas constatações parecem ser especialmente válidas nos dias de hoje em que os anti-retrovirais disponíveis são mais efetivos, mas exigem um regime de uso complexo e com efeitos colaterais importantes.

A referida pesquisa teve como objetivos descrever a associação entre o consumo de álcool e a progressão de doenças relacionadas ao HIV e toxidade dos medicamentos, bem como, o grau de preocupação dos profissionais de saúde com relação ao consumo excessivo de álcool por seus pacientes.

A amostra investigada era constituída por 881 veteranos norte-americanos com diagnóstico positivo para o HIV (idade média de 49 anos, 99% homens, 54% afros-descendentes), que frequentavam três clínicas para tratamento da Aids nos EUA. Vinte e três porcento dos pacientes consumiam álcool de maneira prejudicial de acordo com o AUDIT (questionário de rastreamento para uso abusivo do álcool) e 12,5% e 66,7% foram, respectivamente, descritos por seus profissionais de saúde como consumidores de álcool em excesso na atualidade ou em algum momento da vida.

Os que consumiam bebidas alcoólicas de forma prejudicial apresentavam maiores chances de apresentar carga viral detectável (p < 0,001). Pacientes que apresentavam diagnóstico de abuso de álcool, segundo do CID-9, demonstraram maiores alterações hematológicas, anemia e alterações da função hepática (p < 0,001).

Quanto aos profissionais de saúde, os autores concluíram que estes deixaram de identificar o grau de severidade de consumo de álcool em pacientes que possuíam carga viral indetectável, pacientes sem diagnóstico de hepatite C, e pacientes sem alterações hematológicas e com contagem de células CD4 superior a 200/mL (severidade menor de infecção pelo HIV).

Os pesquisadores concluíram que entre os veteranos soropositivos, o consumo de álcool de forma prejudicial foi um diagnóstico comum e estava associado ao desenvolvimento de complicações decorrentes da infecção pelo HIV, comorbidades (coexistência de doenças) hepáticas e anemia. Profissionais de saúde deixam de fazer o diagnóstico de uso problemático de álcool em pacientes com severidade menor de infecção pelo HIV e sem evidência de doenças hepáticas.

Os autores recomendaram que estes profissionais, rotineiramente, passem a examinar e orientar seus pacientes sobre as consequências do consumo de álcool de modo a minimizar seu impacto sobre suas saúdes.

Additional Info

  • Autor(es): J. Conigliaro, A. J. Gordon, K. A. McGinnis, L. Rabeneck e C. Amy
  • Fator de impacto da revista: 3.586
  • Título(s) original(is): How Harmful Is Hazardous Alcohol Use and Abuse in HIV Infection: Do Health Care Providers Know Who Is at Risk?
  • Fonte:

    JAIDS Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes 33:521-525, 2003 Lippincott Williams & Wilkins, Inc. Philadelphia

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