Consumo de álcool, finasterida e risco de câncer de próstata - Resultados do Estudo de Prevenção do Câncer de Próstata

26 novembro, 2009

Estudo mostra que o consumo pesado de álcool está associado a um maior risco de câncer de próstata e pode resultar na ineficácia do tratamento preventivo com o medicamento finasterida.

O câncer de próstata é o sexto tipo de câncer mais comum no mundo (10% de todos os casos de câncer) e o mais prevalente em homens. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA; www.inca.gov.br), o número de novos casos de câncer de próstata estimados para o Brasil no ano de 2008 foi de 49.530, correspondendo a um risco estimado de 52 casos novos a cada 100 mil homens.

O câncer de próstata pode ser influenciado pelo consumo de álcool por diversos mecanismos: além de o próprio álcool ser cancerígeno, também afeta o metabolismo de outras substâncias cancerígenas, inibe o processo de reparação do DNA, aumenta o estresse oxidativo e, assim, pode aumentar a probabilidade de efeitos deletérios no DNA – efeitos que podem levar ao desenvolvimento de câncer. Apesar de alguns estudos estimarem um aumento de aproximadamente 20% no risco de câncer de próstata em bebedores pesados (considerado nesses estudos como o consumo de 25 g de álcool por dia ou mais), os efeitos do álcool sobre o câncer de próstata ainda não estão bem estabelecidos.

Em um estudo recente, foram avaliadas associações entre o consumo de álcool (tipo de bebida alcoólica e padrão de consumo) e o risco de desenvolver câncer de próstata. Também se verificou um possível efeito do consumo de álcool sobre a ação da finasterida (um medicamento utilizado na prevenção do câncer de próstata), pois ambos afetam o metabolismo da testosterona, hormônio importante no desenvolvimento e evolução deste tipo de câncer.
Todos os dados deste estudo foram coletados como parte do Prostate Cancer Prevention Trial, realizado nos Estados Unidos, a partir do ano de 1995. A prevalência de câncer de próstata foi verificada em um período de 7 anos, entre 10.920 homens com 55 anos de idade ou mais, que haviam sido randomizados para receber a finasterida (5 mg por dia) ou placebo (grupo controle). Ao final do estudo, 2.129 participantes haviam desenvolvido câncer de próstata e 8.791 homens tiveram biópsia negativa para este tipo de câncer.

Em geral, o consumo leve/moderado (definido pelo estudo como o consumo de até 50 g de álcool/dia, o equivalente a aproximadamente 4 doses) não foi associado ao risco de câncer de próstata. Entretanto, beber pesado (50 g de álcool/dia ou mais) foi associado a um risco significativamente maior de câncer de próstata de alto grau de malignidade, tanto no grupo controle como no tratado com finasterida.
No grupo tratado com finasterida, os bebedores leves/moderados apresentaram redução do risco de câncer de próstata em 29%, enquanto os bebedores pesados sofreram aumento do risco em 17%. Quando analisaram apenas os casos de câncer de próstata de baixo grau, também no grupo tratado com finasterida, os resultados foram semelhantes: redução de risco em 43% para bebedores leves/moderados e aumento de risco em 12% para bebedores pesados. Já para os casos de alto grau de malignidade, o risco aumentou em 19% entre bebedores leves/moderados; porém, tal efeito foi muito maior em bebedores pesados: o risco aumentou em 78%.
Com relação aos diferentes tipos de bebidas alcoólicas, apenas o consumo pesado de cerveja foi associado ao risco de câncer de próstata. No entanto, os autores indicam que, devido ao pequeno número de indivíduos, na amostra estudada, que faziam o uso pesado de vinho ou bebidas destiladas, os efeitos desses tipos de bebidas sobre o câncer de próstata podem ter sido subestimados.

Em resumo, o consumo pesado de álcool esteve associado a um maior risco de câncer de próstata. Além disso, não foi observado um efeito preventivo entre os bebedores pesados tratados com finasterida; pelo contrário, houve aumento no risco de câncer de próstata, enquanto os bebedores leves/moderados se beneficiaram com o tratamento, com uma diminuição do risco. Especificamente para o câncer de próstata de alto grau de malignidade no grupo tratado com finasterida, os riscos aumentaram tanto em bebedores leves/moderados como pesados, mas o efeito foi maior neste último grupo.

Os autores deste estudo sugerem que tais associações ainda precisam ser melhor estabelecidas, assim como os possíveis mecanismos biológicos envolvidos. Além disso, aconselham os médicos dar maior atenção aos padrões de consumo de álcool de seus pacientes, principalmente em relação ao tratamento preventivo do câncer de próstata com a finasterida, já que tal tratamento poderia, inclusive, aumentar os riscos de câncer de próstata entre bebedores pesados.

Additional Info

  • Autor(es): Gong Z, Kristal AR, Schenk JM, Tangen CM, Goodman PJ, Thompson IA
  • Fator de impacto da revista: 5.238
  • D.O.I.: 10.1002/cncr.24423
  • Título(s) original(is): Alcohol consumption, finasteride, and prostate cancer risk - Results from the Prostate Cancer Prevention Trial
  • Fonte:

    Cancer 2009;115:3661?3669.

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