Dr. Luiz Claudio Santos Thuler é médico com especializações em clínica médica e saúde pública. Pesquisador do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva - INCA. Orientador da dissertação de mestrado "Consumo de bebida alcoólica como fator de risco para o desenvolvimento de complicações da ferida operatória em mulheres com câncer de mama: estudo de uma coorte hospitalar.

A publicação "Álcool e a Saúde dos Brasileiros - Panorama 2020" traz, além dos dados mais recentes sobre o impacto do uso de álcool na saúde da população do Brasil, um mapeamento inédito da produção científica brasileira sobre o tema, no período de 1990 até 2018.

Chamado de Panorama Científico, o estudo mostrou que, embora a produção científica no Brasil tenha crescido substancialmente entre os anos analisados, ainda há uma carência de estudos sobre certos temas relevantes como a prevenção ao uso de álcool e a avaliação de intervenções e programas de saúde pública na área. Essa lacuna evidenciada pelo estudo deixa clara a janela aberta aos pesquisadores para a produção de trabalhos consistentes nessas áreas.

 

1. Qual foi o maior desafio na realização do Panorama Científico?

O Panorama Científico atualiza os tópicos mais relevantes sobre a questão de consumo de álcool no Brasil.  Nesta perspectiva, a identificação de novos fenômenos associados ao consumo de álcool e as lacunas científicas investigadas de forma insuficiente foram os maiores desafios.

 

2. Qual a importância desse levantamento?

Pela primeira vez, publica-se um artigo científico voltado em quantificar a produção brasileira sobre o tema de alcoolismo.  A metodologia de busca sistematizada e análise bibliométrica foram os principais avanços científicos.  Os resultados auxiliam a avaliar o cenário científico sobre o consumo de álcool, bem como as direções futuras. 

 

3. Os resultados surpreenderam de alguma forma?

Sim.  Primeiro, a maioria dos estudos publicados eram descritivos, isto é, calculam apenas a frequência de consumo de álcool e as suas consequências em subgrupos específicos.  Contudo, não permitem maiores inferências sobre as ações de intervenção e prevenção.  Segundo, e o mais surpreendente, as políticas e programas sobre o consumo de álcool no nosso país possuem pouca ou nenhuma evidência de efetividade.  A adoção de um programa sem comprovação de benefício para a comunidade pode prejudicar a saúde da população como um todo, além de constituir uma enorme despesa para o erário público.

 

4. Com base nos resultados, como avalia a pesquisa científica nacional sobre álcool?

Temos pesquisas adequadas com boa visibilidade científica, feitas por pesquisadores nacionais.  Os indicadores bibliométricos mostram que a produção brasileira é crescente, ano após ano, principalmente na última década.  Contudo, as colaborações internacionais ainda são escassas.  A maior parte dos estudos simplesmente descrevem o cenário de consumo de álcool no Brasil.  Somente 10% das pesquisas se dedicaram a evidenciar os efeitos de uma intervenção ou programas de saúde pública.  Os cientistas devem responder com suas pesquisas sobre as melhores ações para enfrentar o crescimento do consumo de álcool no Brasil.

 

5. Quais são os principais avanços e desafios?

O principal avanço é a avaliação abrangente e sistematizada da produção científica brasileira sobre o consumo de álcool entre 1990 - 2018.  O ineditismo deste artigo se equipara a uma reflexão crítica para que os cientistas brasileiros olhem para o que estão fazendo, o que falta fazer e para onde podem progredir. 

Os desafios futuros são: (1) mudar o foco dos trabalhos descritivos para realizar trabalhos que comprovem os benefícios de ações e programas de saúde pública;  (2) esta proposta deve ser endossada e alavancada por lideranças acadêmicas que são formadores de opinião, para que seja fortalecida a capacidade de produção científica (capacity building); (3) disseminar os resultados já obtidos para as autoridades e as partes interessadas (indivíduo, família e a sociedade), estabelecendo o financiamento público de ações que possuem o potencial de reverter ou controlar o crescente fenômeno de consumo de álcool e as suas consequências negativas. 

 

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