Durante a pandemia de COVID-19, alguns mitos foram criados, como a ideia de que o álcool poderia proteger do contágio do novo coronavírus. Para desfazer esse equívoco e esclarecer a população mundial, a OMS lançou um guia de informações importantes sobre consumo de álcool e COVID-19.

  

Você sabia que beber em excesso pode deixar seu organismo mais vulnerável a doenças, inclusive à Covid-19?

Confira as perguntas mais frequentes sobre a relação entre consumo de álcool e COVID-19, juntamente com as respostas cientificamente embasadas.

Chegou o nosso novo Panorama 2021!

Artigo publicado na revista Hepatology discute a repercussão da COVID-19 no crescimento de transtornos relacionados ao uso de álcool e doença hepática alcoólica

 

Pesquisa online conduzida pela OPAS em 33 países da América Latina e Caribe avalia o que mudou nos hábitos de consumo de álcool com a pandemia. 

Enquanto a pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19) leva a implicações sérias para a saúde, há a preocupação de que algumas pessoas podem estar consumindo mais bebidas alcoólicas. Afinal, de que modo o surto de COVID-19 impactará no uso de álcool?

 

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Segundo Rehm e colaboradores, possíveis respostas podem ser buscadas a partir do impacto de outras crises recentes de saúde pública nos níveis e padrões de consumo de álcool. A partir de sua revisão1, identificaram duas hipóteses principais sobre repercussões da COVID-19 no uso de álcool. A primeira sugere que o aumento do sofrimento psicológico desencadeado pela interação de dificuldades financeiras, isolamento social e incerteza sobre o futuro, durante e após crises como a pandemia da COVID-19, pode piorar padrões de uso de álcool e aumentar danos atribuíveis. Algumas evidências da literatura sobre pandemias anteriores apoiam essa primeira hipótese. Por exemplo, um estudo chinês2 sobre a pandemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2003, realizado com 800 moradores de Hong Kong, mostrou que 6,8% dos que consumiam álcool (4,7% dos homens e 14,8% das mulheres) relataram um aumento neste consumo um ano após a pandemia da SARS.

A outra hipótese examinada por Rehm e colaboradores diz respeito à disponibilidade física e financeira (acessibilidade) do álcool. Essa hipótese prevê reduções do consumo e dos problemas atribuíveis a ele, com base em evidências de pesquisas sobre políticas de controle do álcool. Como crises do porte da pandemia de COVID-19 são geralmente associadas ao desemprego e à redução das jornadas de trabalho, levando a diminuições da renda para grande parte da população, consequentemente haveria redução do consumo de álcool e dos problemas atribuíveis. 

As restrições de disponibilidade de bebidas alcoólicas na pandemia - ligadas a medidas como o fechamento de locais de consumo - também poderiam levar a reduções no nível de uso de álcool e danos atribuíveis. Em alguns países, não apenas o consumo no local foi restringido, mas foi implementada uma proibição total temporária da venda de bebidas alcoólicas, como na África do Sul. Lá, em 18 de março de 2020, como parte de sua Estratégia de Gerenciamento de Desastres COVID-19, o governo anunciou uma série de limitações na venda, distribuição e transporte de bebidas alcoólicas. O álcool não foi incluído na lista de bens e serviços essenciais que poderiam ser adquiridos durante o período de lockdown. A justificativa seria que o declínio esperado de acidentes e agressões, devido à proibição de compra do álcool, liberaria o espaço necessário nos hospitais durante a crise de coronavírus.

Após análise das duas hipóteses, os autores do estudo sugerem que o nível de consumo de álcool diminua no futuro imediato - mesmo que alguns governos apoiem os operadores econômicos, declarando que a venda de álcool é um negócio essencial e exigindo que os fornecedores permaneçam abertos em tempos de bloqueio, como já feito em muitos países. Porém, apesar desta diminuição do consumo no curto prazo, um “relaxamento” das medidas de controle do álcool e o sofrimento psicológico relacionado ao surto de COVID-19 poderão levar ao aumento do consumo de álcool e/ou à piora dos padrões a longo prazo.

No que diz respeito às consequências sociais, no curto prazo, a mudança do local de consumo de bebida - de bares e restaurantes para casa, pode diminuir acidentes de trânsito ligados ao álcool devido a menos viagens de e para locais de vendas de bebida. Por outro lado, a violência doméstica pode aumentar devido à relação mais forte entre o consumo fora do local de venda e incidentes violentos (potenciais aumentos de violência doméstica e outros tipos de violência também foram usados como a principal justificativa para proibições temporárias da venda de bebidas alcoólicas).

Os especialistas ressaltam que a situação atual é inédita em termos da dimensão do isolamento social. Portanto, embora as lições aprendidas em outras crises permitam fazer algumas previsões, é importante que qualquer aumento do consumo de álcool seja monitorado. Isso porque poderia incrementar tanto a carga usual de doenças associadas ao próprio álcool, quanto a carga relativa à COVID-19, já que o uso excessivo de álcool enfraquece o sistema imunológico. Esse monitoramento deve considerar não somente o nível de consumo, mas diferenças de gênero e de condição socioeconômica, pois os danos atribuíveis ao álcool diferem em função desses fatores.

Pesquisa canadense mostra como a pandemia afetou o consumo de álcool e drogas entre jovens

Uma das grandes mudanças decorrente do isolamento social foi a maior convivência entre pais e filhos. Essa proximidade parental e a falta de contato presencial com os amigos poderia afetar o consumo de álcool por adolescentes? Os resultados de uma pesquisa canadense podem ser o começo para o entendimento dessa questão.

Realizado via questionário online com mais de mil jovens entre 14 e 18 anos, o estudo1 investigou se durante a pandemia houve alteração na quantidade, frequência e contexto do uso de substâncias (álcool, cannabis e cigarro eletrônico). Um dado chamou a atenção: dentre os adolescentes que fizeram uso de substâncias, 42% afirmaram fazê-lo junto com seus pais.

“Alguns pais pensam que estão protegendo seus filhos do uso abusivo de álcool ao liberarem e aceitarem o consumo de bebidas dentro de casa. Pelo contrário, essa atitude permissiva contribui para uma experimentação precoce e prejudicial.  Quanto mais cedo for o uso, maior o risco de dependência; por isso, nenhum consumo de álcool é aceitável antes dos 18 anos. Há riscos à saúde dos adolescentes em curto e longo prazo”, alerta Arthur Guerra, psiquiatra e presidente executivo do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool.

Em relação ao uso específico de álcool, a pesquisa indicou que o percentual de jovens que o consumiram aumentou ligeiramente no período pré-COVID para o pós-COVID (de 28,6% para 30,1%). Essa substância passou a ser utilizada com mais frequência por eles (a média de dias de uso, nas 3 semanas avaliadas antes e após a COVID-19, foi de 0,76 para 0,96), embora em menor quantidade: o beber pesado episódico (BPE), um padrão nocivo de consumo que ocorre quando é feita uma grande ingestão de álcool em uma única ocasião, diminuiu de 15,7% para 9,8%.

A pesquisa também mostrou que adolescentes com maior receio de contrair COVID-19 e que apresentaram sintomas depressivos durante o isolamento foram significativamente mais propensos a envolver-se no uso solitário de substâncias, enquanto os de maior popularidade demonstraram maior tendência de uso junto com amigos, incluindo em eventos online.

“Apesar das incertezas e desafios do período, esse é o momento para os pais irem além da proximidade física. Estabelecer laços afetivos com seus filhos, estreitar o relacionamento, ampliar o diálogo para explicar de forma aberta e franca os efeitos e as consequências negativas do uso de álcool, combinar as regras e disciplinar quando necessário. É importante que estejam atentos à saúde emocional e mental de crianças e adolescentes, ofereçam ajuda e procurem orientação médica se necessário. E, especialmente com relação ao consumo de bebidas dentro de casa, não seja permissivo com os menores de 18 anos e sempre dê o exemplo: não beba abusivamente”, reforça Guerra.

 

Estudo realizado na China mostra que as epidemias não são apenas uma ameaça à saúde física das pessoas, afetando significativamente sua saúde mental, com aumento na prevalência dos sintomas de ansiedade, depressão e do consumo nocivo de álcool.

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