Álcool e a vacina contra COVID-19

29 abril, 2021

Pessoas que bebem em excesso devem parar ou reduzir consumo de álcool enquanto o processo de imunização da vacina está ocorrendo

 

 

* conteúdo especial, via parceria Éduc’alcool e CISA

Desde o início da pandemia, a Éduc’alcool tem lembrado regularmente os moradores de Quebec (Canadá) que beber de maneira pesada pode enfraquecer o sistema imune, particularmente quando ele está lutando contra doenças respiratórias1 , como pneumonia, tuberculose ou COVID-19. O CISA também tem chamado a atenção dos brasileiros para prevenir o uso nocivo de álcool durante a pandemia.

Nós incentivamos ainda qualquer pessoa com COVID-19 a não ingerir álcool até que esteja completamente recuperado, para que seu sistema imune possa trabalhar em plena capacidade enquanto luta contra o vírus.

Agora que a campanha de vacinação começou, muitas questões estão sendo levantadas sobre o impacto do álcool na efetividade da vacina. Aqui, então, está uma revisão das potenciais relações entre álcool e vacinas.

 

Álcool e estudos clínicos

Alguns estudos clínicos recrutam participantes utilizando critérios bastante estritos, tais como o requerimento de nenhum problema de saúde prévio ou histórico de consumo pesado de álcool. A vacina desenvolvida pela AstraZeneca é um exemplo de pesquisa com esses critérios2. Nesses casos, pode ser difícil generalizar os resultados desses estudos para uma população mais ampla que obviamente inclui bebedores pesados.

Contudo, a Pfizer e a Moderna3,4, empresas cujas vacinas estão atualmente aprovadas para uso no Canadá e, respectivamente, aprovada e aguardando pedido de autorizaçãono Brasil, incluíram pessoas que consumiam álcool em todas as fases de suas pesquisas clínicas. Isso significa que os resultados encorajadores dessas vacinas se aplicam para toda a população adulta, incluindo os bebedores.

 

Vacina benéfica mesmo em bebedores pesados de álcool

Mesmo que não existam estudos específicos examinando o impacto do consumo de álcool na efetividade das vacinas contra COVID-19, pesquisas mostram que a resposta do sistema imune para outras vacinas é claramente menor em bebedores pesados, particularmente entre aqueles que possuem uma doença hepática5.

Então, sem a vacina, bebedores pesados estão em maior risco de contrair COVID-19 e sofrer sintomas mais graves. Além disso, a vacina contra COVID-19 poderia ser menos efetiva nesse grupo de bebedores.

Mesmo assim, as vacinas atualmente sendo administradas no Canadá e no Brasil podem prover proteção adicional que poderia neutralizar as vulnerabilidades causadas pelo álcool em bebedores pesados. Vacinar-se contra a COVID-19 é, portanto, benéfico para todos, mesmo para quem bebe pesado.

 

Cuidado com o beber pesado

Dado que o consumo pesado pode limitar os benefícios da vacina, pessoas que bebem em excesso devem buscar ajuda visando parar de beber, ou ao menos reduzir seu consumo de álcool, enquanto o processo de imunização da vacina está ocorrendo.

É impossível dizer exatamente quantos dias antes da vacinação uma pessoa deve parar de beber, mas, certamente, quanto antes melhor.

A partir do momento em que a segunda dose da vacina for administrada e o processo de imunização estiver completo (no mínimo duas semanas após a segunda dose), o consumo de álcool pode ser reavaliado – e, quem sabe, talvez os hábitos de consumo moderado recém aprendidos possam ser incorporados e virar o “novo normal”.

Desse modo, mesmo quando se trata de álcool e vacina contra COVID-19, a moderação é sempre uma boa escolha.

 

Saiba mais sobre a parceria em CISA e Éduc’alcool, juntos na prevenção do uso abusivo de álcool

 

 

Additional Info

  • Referências:
    1. Nelson S, Zhang P, Bagby G, Happel K, Raasch C. Alcohol Abuse, Immunosuppression, and Pulmonary Infection. Curr Drug Abus Rev. 2008 Jan;1(1):56–67.
    2. Voysey M, Clemens SAC, Madhi SA, Weckx LY, Folegatti PM, Aley PK, et al. Safety and efficacy of the ChAdOx1 nCoV-19 vaccine (AZD1222) against SARS-CoV-2: an interim analysis of four randomised controlled trials in Brazil, South Africa, and the UK. Lancet. 2021 Jan;397(10269):99–111.
    3. Polack FP, Thomas SJ, Kitchin N, Absalon J, Gurtman A, Lockhart S, et al. Safety and Efficacy of the BNT162b2 mRNA Covid-19 Vaccine. N Engl J Med. 2020 Dec;383(27):2603–15.
    4. Baden LR, El Sahly HM, Essink B, Kotloff K, Frey S, Novak R, et al. Efficacy and Safety of the mRNA-1273 SARS-CoV-2 Vaccine. N Engl J Med. 2021 Feb;384(5):403–16.
    5. Pasala S, Barr T, Messaoudi I. Impact of Alcohol Abuse on the Adaptive Immune System. Vol. 37, Alcohol research : current reviews. National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism; 2015. p. 185–97.