Quanto mais cedo se inicia o consumo, maiores as chances de desenvolver problemas relacionados ao uso de álcool na idade adulta.

Consumo de álcool entre jovens desperta preocupação entre os profissionais da saúde.

Estudo investiga os motivos relacionados ao uso de álcool feito por jovens.

Adolescentes são particularmente susceptíveis a diversas consequências negativas associadas ao uso de álcool, entre as quais destacam-se acidentes de carro, doenças sexualmente transmissíveis, suicídio, morte e invalidez.

Artigo recente publicado na "Addictive Behaviors" relata os resultados da pesquisa que examinou a natureza e a frequência das consequências negativas e positivas relacionadas ao uso de bebidas alcoólicas por estudantes universitários.

Álcool e Jovens

Julho 30, 2007

O uso precoce de álcool por adolescentes está associado com exposição a riscos e uma série de complicações à saúde tais como prática de sexo sem proteção, maiores índices de gravidez, aumento no risco de dependência de álcool em idade adulta, mortes por traumas  e queda no desempenho cognitivo e escolar.

Confira o progresso brasileiro na percepção do impacto do uso prejudicial do álcool.

Pesquisa canadense mostra como a pandemia afetou o consumo de álcool e drogas entre jovens

Uma das grandes mudanças decorrente do isolamento social foi a maior convivência entre pais e filhos. Essa proximidade parental e a falta de contato presencial com os amigos poderia afetar o consumo de álcool por adolescentes? Os resultados de uma pesquisa canadense podem ser o começo para o entendimento dessa questão.

Realizado via questionário online com mais de mil jovens entre 14 e 18 anos, o estudo1 investigou se durante a pandemia houve alteração na quantidade, frequência e contexto do uso de substâncias (álcool, cannabis e cigarro eletrônico). Um dado chamou a atenção: dentre os adolescentes que fizeram uso de substâncias, 42% afirmaram fazê-lo junto com seus pais.

“Alguns pais pensam que estão protegendo seus filhos do uso abusivo de álcool ao liberarem e aceitarem o consumo de bebidas dentro de casa. Pelo contrário, essa atitude permissiva contribui para uma experimentação precoce e prejudicial.  Quanto mais cedo for o uso, maior o risco de dependência; por isso, nenhum consumo de álcool é aceitável antes dos 18 anos. Há riscos à saúde dos adolescentes em curto e longo prazo”, alerta Arthur Guerra, psiquiatra e presidente executivo do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool.

Em relação ao uso específico de álcool, a pesquisa indicou que o percentual de jovens que o consumiram aumentou ligeiramente no período pré-COVID para o pós-COVID (de 28,6% para 30,1%). Essa substância passou a ser utilizada com mais frequência por eles (a média de dias de uso, nas 3 semanas avaliadas antes e após a COVID-19, foi de 0,76 para 0,96), embora em menor quantidade: o beber pesado episódico (BPE), um padrão nocivo de consumo que ocorre quando é feita uma grande ingestão de álcool em uma única ocasião, diminuiu de 15,7% para 9,8%.

A pesquisa também mostrou que adolescentes com maior receio de contrair COVID-19 e que apresentaram sintomas depressivos durante o isolamento foram significativamente mais propensos a envolver-se no uso solitário de substâncias, enquanto os de maior popularidade demonstraram maior tendência de uso junto com amigos, incluindo em eventos online.

“Apesar das incertezas e desafios do período, esse é o momento para os pais irem além da proximidade física. Estabelecer laços afetivos com seus filhos, estreitar o relacionamento, ampliar o diálogo para explicar de forma aberta e franca os efeitos e as consequências negativas do uso de álcool, combinar as regras e disciplinar quando necessário. É importante que estejam atentos à saúde emocional e mental de crianças e adolescentes, ofereçam ajuda e procurem orientação médica se necessário. E, especialmente com relação ao consumo de bebidas dentro de casa, não seja permissivo com os menores de 18 anos e sempre dê o exemplo: não beba abusivamente”, reforça Guerra.