Consumo nocivo entre idosos

2 abril, 2019

O uso frequente e excessivo de álcool na terceira idade pode aumentar riscos de complicações de saúde e óbitos.

O uso de substâncias psicoativas entre idosos é um tema que vem preocupando os profissionais da área da saúde devido a um aumento observado no número de admissões em unidades de pronto-atendimento e busca por tratamento associados ao uso dessas substâncias. Adiciona-se a este preocupante cenário o envelhecimento da população brasileira, que potencializa a importância de prevenir e diminuir tal impacto do álcool à saúde.

O envelhecimento pode diminuir a tolerância do corpo ao álcool devido a uma série de alterações fisiológicas: mudanças na capacidade de metabolização hepática e função renal, bem como na composição corporal, com maior tendência à desidratação. Assim, a ingestão de álcool em idosos pode provocar efeitos mais acentuados comparativamente aos jovens de mesmo sexo e peso. Dentre as consequências do uso nocivo de álcool nessa população, destacam-se déficits no funcionamento cognitivo e intelectual, prejuízos no comportamento global, aumento do número de comorbidades e agravos a outros problemas de saúde comuns à idade.

Além disso, o consumo de álcool por idosos pode expô-los a maior risco de quedas e outras lesões, e ainda promover efeitos secundários pela interação com medicamentos mais comumente utilizados por essa população. Apesar da incidência de transtornos relacionados ao uso de álcool em idosos ser bastante alta, o diagnóstico é subestimado, e os dados sobre seu impacto são escassos. Estima-se que 1 a 3% dos idosos apresentem a doença, representando uma causa de morbidade física e psiquiátrica.

Dados disponibilizados no sistema Datasus indicam o aumento, entre 2010 e 2016, no número de internações e óbitos parcial ou totalmente atribuíveis ao na população com 55 ou mais anos de idade (6,9% e 6,71%, respectivamente). Apesar da proporção de mortes atribuíveis ao álcool para indivíduos com idades a partir de 60 anos ser menor do que para indivíduos no início e metade da idade adulta, os prejuízos relacionados ao álcool em idosos são decorrentes de fatores diferentes daqueles relacionados aos jovens. Na tabela a seguir, extraída da publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2019 é possível comparar as taxas de internações e óbitos parcial ou totalmente atribuíveis ao álcool em diferentes faixas etárias:

Um artigo de revisão (Wang & Andrade, 2013) reportou que o padrão BPE e os transtornos relacionados ao álcool (abuso e dependência) em idosos estão mais associados ao sexo masculino e a ser economicamente desfavorecido. Em paralelo, as idosas representam um subgrupo que merece atenção específica, já que para elas a progressão do uso à dependência tende a ocorrer mais rapidamente e as consequências adversas iniciam-se mais precocemente. Além disso, as idosas estão especialmente mais propensas que os homens a utilizar medicamentos de prescrição como tranquilizantes, analgésicos, sedativos, estimulantes e antidepressivos.

Esses dados mostram que parte considerável dos idosos brasileiros consome bebidas alcoólicas e sabe-se que este comportamento na terceira idade pode aumentar os riscos de complicações da saúde e mortes, especialmente se excessivo e frequente. Somado a isso, há o contexto do envelhecimento da população brasileira - alavancado pelo aumento da expectativa de vida, diminuição da natalidade e avanços dos serviços de saúde, incluindo o acesso e a disponibilidade de tratamentos. É notável, portanto, que os idosos sejam alvo de campanhas e políticas específicas de prevenção ao uso nocivo de álcool.

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