Contextos de consumo de álcool

23 setembro, 2020

Ambientes e contextos diferentes interagem com as nossas expectativas e motivações, influenciando hábitos e comportamentos relacionados ao álcool.

No senso comum, a expressão “beber socialmente” frequentemente é usada como sinônimo de beber pouco ou moderadamente. Por outro lado, a expressão “afogar as mágoas” geralmente indica o consumo solitário e exagerado de álcool. Em qual contexto bebemos mais? Na companhia de outras pessoas ou quando estamos sozinhos?

A associação entre o beber moderado e contextos sociais está bastante consolidada na literatura. No entanto, uma pesquisa mostrou que, mesmo na ausência dos efeitos químicos do álcool, beber com os amigos e em ambientes de consumo pode ser suficiente para beber mais¹. Isto sugere que nem sempre beber em um ambiente social é garantia de que o consumo seja moderado. Mas por que isso acontece?

Como explicamos em um vídeo sobre motivações de consumo no Canal do CISA, relaxamento, euforia, desinibição e enfrentamento de problemas são algumas das expectativas mais associadas ao álcool. Além disso, no final da adolescência e início da idade adulta, o comportamento de “beber para socializar” torna-se frequente e mais associado a padrões nocivos de consumo².

A pressão para experimentar o álcool e acompanhar os amigos bebedores, misturada à timidez e sentimento de insegurança podem estimular os jovens a beber além da conta. Por isso, o contexto social pode ser um fator de risco para o consumo nocivo, especialmente entre pessoas que não costumam beber.

Já o consumo solitário está associado ao enfrentamento de problemas e sentimentos negativos como a tristeza, frustração e medo. Uma revisão de literatura³ indicou que, embora menos comum entre jovens, o hábito de beber sozinho é um fator de risco para transtornos relacionados ao uso de álcool (abuso ou dependência) nessa população.

Em um estudo4 sobre contextos e padrões de consumo nocivos em adultos na faixa dos 30 anos, os resultados indicaram que “beber sozinho em casa” foi associado ao uso nocivo de álcool entre homens. Já entre mulheres, o hábito de “beber sozinha durante o dia” foi mais associado a esses padrões de risco.

Ambientes e contextos diferentes interagem com as nossas expectativas e motivações, influenciando o consumo de bebidas alcoólicas. Evidências científicas sugerem que o hábito de beber sozinho está mais associado a padrões nocivos e transtornos relacionados ao uso de álcool. No entanto, em algumas situações, a companhia de outras pessoas também pode estimular exageros.

  

Para saber mais sobre o que é consumo moderado, acesse: https://www.cisa.org.br/index.php/sua-saude/informativos/artigo/item/146-o-que-e-consumo-moderado

Additional Info

  • Referências:

    1. Monk RL, Qureshi AW, McNeill A, Erskine-Shaw M, Heim D. Perfect for a gin and tonic: How context drives consumption within a modified bogus taste test. Alcohol Alcohol. 2018;53(3):228–34.

    2. Smit K, Voogt C, Otten R, Kleinjan M, Kuntsche E. Alcohol expectancies change in early to middle adolescence as a function of the exposure to parental alcohol use. Drug Alcohol Depend [Internet]. 2020;211(January):107938. Available from: https://doi.org/10.1016/j.drugalcdep.2020.107938

    3. Corbin WR, Waddell JT, Ladensack A, Scott C. I drink alone: Mechanisms of risk for alcohol problems in solitary drinkers. Addict Behav [Internet]. 2020;102(September 2019):106147. Available from: https://doi.org/10.1016/j.addbeh.2019.106147

    4. Meque I, Betts KS, Salom CL, Scott JG, Clavarino A, Mamun A, et al. Social Drinking Contexts and Their Influence on Problematic Drinking at Age 30. Subst Use Misuse [Internet]. 2020;55(2):188–99. Available from: https://doi.org/10.1080/10826084.2019.1660679

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