Relatório Global sobre Álcool e Saúde - 2018

20 setembro, 2018

A OMS divulgou o Relatório Global sobre Álcool e Saúde 2018, com dados atualizados e avaliações sobre os avanços nas políticas do álcool no mundo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em 21 de setembro o Relatório Global sobre Álcool e Saúde 2018, que traz informações sobre o consumo de álcool no mundo e avalia os avanços realizados desde a publicação da Estratégia Global para Redução do Uso Nocivo de Álcool, em 2010. Seguem abaixo as principais informações deste documento, com destaque especial para o Brasil.

Consumo per capita

Globalmente estima-se que quase metade da população com 15 anos ou mais (44,5%) nunca consumiu álcool e cerca de 43% da população são bebedores atuais (consumiram nos últimos 12 meses). A média de consumo per capita mundial foi de 6,4 L de álcool puro.

No Brasil, cerca de 21,4% da população nunca ingeriu bebidas alcoólicas e aproximadamente 40% consumiram nos últimos 12 meses. Entre os brasileiros que beberam neste período, os homens são maioria (54%, versus 27,3% das mulheres).O consumo estimado em 2016 foi de 7,8 L de álcool puro per capita. Esses dados sugerem uma redução no consumo de álcool pela população brasileira em relação à 2010 (8,8 L de álcool puro per capita). Estima-se que homens consumam 13,4 L por ano, e as mulheres, 2,4 L por ano. Vale destacar que o consumo está abaixo da média da região das Américas (8L de álcool puro per capita); porém maior do que a média mundial (6,4 L).

Aproximadamente ¼ do álcool puro (25,5%) consumido no mundo é ilegal e, portanto, não regulamentado. Em alguns países, essa taxa chega a 50% (Sudoeste da Ásia e Região do Mediterrâneo, por exemplo). No Brasil, a proporção estimada é de 15,5%, cerca de 1,2 L do consumo per capita de álcool puro.

As bebidas destiladas correspondem ao tipo de bebida mais consumido no mundo (44,8%), seguido da cerveja (34,3%) e do vinho (11,7%). Na Região das Américas a cerveja é o tipo de bebida mais consumido (53,8%), seguido dos destilados (31,7%) e do vinho (13,5%). No Brasil, a sequência é a mesma, mas as proporções são um pouco diferentes: 62% cerveja, 34% destilados e 3% vinho.

Beber Pesado Episódico (binge drinking)

Além da quantidade de álcool consumida, o padrão de consumo utilizado ao longo do tempo interfere no risco para prejuízos. O Beber Pesado Episódico (BPE), padrão de uso que equivalente a 60 gramas ou mais (cerca de 5 doses* ou mais) de álcool puro em uma única ocasião ao menos uma vez no último mês, está associado a diversos problemas agudos, como acidentes e violência. Foi observada uma diminuição da frequência de BPE no mundo, de 22,6% em 2000 para 18,2% em 2016, na população com 15 anos ou mais. Já no Brasil, este padrão foi reportado por 19,4% das pessoas (32,6% entre homens; 6,9% entre mulheres;), em 2016, havendo um aumento em relação aos dados de 2010 (12,7% da população; 20,7% entre homens e 5,2% entre mulheres) .

Consequências do uso do álcool

O uso nocivo do álcool é um dos fatores de risco de maior impacto para a morbidade, mortalidade e incapacidades em todo o mundo, relacionado a 3 milhões de mortes em 2016 – o equivalente a quase 5,3% de todas as mortes no mundo. A OMS ainda destaca que houve uma diminuição no nível global de mortes e morbidade atribuíveis ao álcool (13,0% e 10,6%, respectivamente); porém o ônus global de doenças atribuíveis ao álcool ainda é muito significativo.

No Brasil, o álcool esteve associado a 69,5% e 42,6% dos índices de cirrose hepática, a 36,7% e 23% dos acidentes de trânsito e a 8,7% e 2,2% dos índices de câncer – respectivamente, entre homens e mulheres em 2016. Especificamente sobre os transtornos relacionados ao uso do álcool, estima-se que 4,2% (6,9% entre homens e 1,6% entre mulheres) dos brasileiros preenchem critérios para abuso ou dependência. Nota-se, portanto, uma diminuição em relação a 2010, quando a prevalência estimada era de 5,6% (8,2% entre homens e 3,2% entre mulheres).

As consequências do uso de álcool também oneram a sociedade, de forma direta e indireta, potencializando os custos em hospitais e outros dispositivos do sistema de saúde, sistema judiciário, previdenciário, perda de produtividade do trabalho, absenteísmo, desemprego, entre outros. Ainda, em todo o mundo, nota-se que as faixas etárias mais jovens (20-49 anos) são as principais afetadas em relação a mortes associadas ao uso do álcool, traduzindo como uma maior perda de pessoas economicamente ativas.

Destaque nacional: campanha Vida Urgente

Em uma seção dedicada a medidas para reduzir o comportamento de beber e dirigir, a OMS destacou a campanha brasileira Vida Urgente. Trata-se de uma ação comunitária desenvolvida pela Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, organização que visa promover a conscientização e mudanças de comportamento em relação a beber e dirigir em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Uma pesquisa prévia realizada pela instituição mostrou que 85% dos jovens entrevistados considera que aplicativos de mobilidade são a maneira mais confiável de ajudá-los a chegar em casa com segurança depois de beber. A partir desse resultado, a campanha Vida Urgente firmou parceria com um serviço de táxi para fornecer alternativas seguras de mobilidade em ocasiões de consumo de álcool.

Uma maneira pela qual a campanha ajuda a vincular os bebedores ao serviço de táxi é através de suas blitzes, em que grupos de voluntários realizam atividades e realizam testes de bafômetro e oferecem códigos promocionais de aplicativos de táxi. A campanha teve resultados positivos durante o Carnaval, feriado com altas taxas de mortes por acidentes de trânsito. Desde o início da campanha houve uma redução das mortes causadas por acidentes de trânsito em Porto Alegre. O número de mortes por acidentes de trânsito por 100.000 habitantes é menor nessa cidade (7) em comparação ao estado Rio Grande do Sul (14,9) e no Brasil como um todo (23,4).

Considerações finais

Para a OMS, a prevenção e redução do uso nocivo do álcool devem ser tratadas como prioridade e a organização enfatiza a necessidade de os países concentrarem mais esforços nas áreas-alvo recomendadas na Estratégia Global para Redução do Uso Nocivo de Álcool, para que seja possível alcançar a meta previamente estipulada de redução relativa de 10% no consumo nocivo mundial em 2025.

As políticas do álcool definidas em um país, e seu nível de eficácia, no que concerne ao controle e regulamentação, auxiliarão a determinar seu nível de vulnerabilidade ao uso nocivo e aos malefícios do álcool. 

Additional Info

  • Fonte:

    Organização Mundial da Saúde (OMS). Relatório Global sobre Álcool e Saúde - 2018. Genebra, Suiça

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