Movimento Maio Amarelo

25 abril, 2019

O CISA é apoiador da campanha e, visando contribuir com o debate, compilamos os principais dados sobre bebida e trânsito.

Acidentes de trânsito interrompem a vida de mais de 1,3 milhão de pessoas anualmente, sendo essa a maior causa dos óbitos de crianças e jovens com idade entre 5 e 29 anos. Diante dessa grave situação, a Assembleia Geral das Nações Unidas lançou, em maio de 2011, a Década de Ação para Segurança no Trânsito.  A iniciativa busca promover e capacitar a gestão da segurança no trânsito nos países membros; melhorar a segurança das vias e veículos, o comportamento de todos os que se utilizam da via pública, e reforçar os cuidados pós-acidente.

Visando chamar atenção da sociedade civil para o problema, o Observatório Nacional de Segurança Viária realiza, anualmente, o Movimento Maio Amarelo. A campanha pretende mobilizar os mais diversos segmentos: órgãos de governos, empresas, entidades de classe, associações, federações e sociedade civil organizada para efetivamente discutir o tema, engajar-se em ações e propagar o conhecimento, abordando toda a amplitude que a questão do trânsito exige, nas mais diferentes esferas.

Segundo o Relatório Global sobre Álcool e Saúde (OMS, 2018), estima-se que cerca de 370 mil mortes devidas a acidentes de trânsito no mundo foram atribuíveis ao álcool. Entre as vítimas, 187 mil não eram os motoristas dos veículos.O CISA é apoiador da campanha Maio Amarelo e, visando contribuir com o debate, compilamos os principais dados sobre bebida e trânsito da publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2019.

No Brasil, o álcool esteve associado a 36,7% dos acidentes de trânsito entre homens e 23% entre mulheres, em 2016.

  • Dados do Vigitel 2017 – Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, do Ministério da Saúde, indicam que 6,7% dos entrevistados declararam conduzir veículo motorizado após o consumo de qualquer quantidade de álcool, sendo essa porcentagem maior entre o sexo masculino (11,7%) em comparação ao sexo feminino (2,5%), mais evidente em indivíduos de 25 a 34 anos e com tendência a crescer com o aumento do grau de escolaridade.
  • As maiores frequências de beber e dirigir foram observadas, entre homens, em Palmas (26,3%), Florianópolis (24,3%) e Cuiabá (22,5%) e, entre mulheres, em Florianópolis (7,1%), Palmas (6,8%) e Distrito Federal (6,5%). As menores frequências entre os homens ocorreram em Recife (5,7%), Maceió (7,2%) e Vitoria (7,4%) e, entre as mulheres, em Maceió (0,4%), Recife e Porto Alegre (0,6%).
  • Os acidentes de trânsito foram a segunda principal causa de internações relacionadas ao uso de álcool em 2017, sendo responsável por 10,6% internações (28.489 casos). Em 2010, esse índice era 8,5% e configurava como a terceira causa de internações. Os acidentes de trânsito também foram responsáveis por 8,2% dos óbitos atribuíveis ao álcool em 2016, inferior ao 10,0% de 2010.
  • No Brasil, os esforços para enfrentar o comportamento de beber e dirigir começaram em 1998, ganhando força e visibilidade em 2008 com a implementação da Lei Seca (Lei nº 11.705/2008). Desde então, a lei passou por atualizações que tornaram as normas e punições relacionadas ao crime de embriaguez ao volante cada vez mais rigorosas.
  • Estima-se que a Lei Seca tenha evitado cerca de 41 mil mortes, desde o ano de sua implementação, 2008, até o final de 2017. Ainda, dados do Ministério da Saúde indicam redução de 27,4% do número de mortes por acidentes de trânsito nas capitais brasileiras entre 2010 e 2016, o que poderia estar relacionado à Lei Seca e outras ações, como o Programa Vida no Trânsito.
  • No mundo, o Brasil se destaca como um dos 15 países que estabeleceram a tolerância zero para o consumo de álcool por motoristas. Condutores que apresentem 0,2 g a 0,6 g de álcool por litro de sangue são punidos com medidas administrativas. Concentração igual ou superior a 0,6 g/L é considerada crime, passível de multa, suspensão da carteira de motorista e prisão. Isso está em linha com as melhores práticas propostas pela OMS, que recomenda limite de CAS igual ou inferior a 0,05 g/dL para a população em geral.

Para mais informações sobre o Movimento Maio Amarelo, acesse: maioamarelo.com

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