Estudo europeu aponta que a frequência do consumo de álcool foi maior entre usuários de cocaína em pó do que entre os usuários de crack, no mês anterior a pesquisa.

Saiba o que o álcool faz no seu organismo e porque isso significa perigo ao volante.

Consumo e alcoolemia

setembro 14, 2012

Veja a tabela de cálculo aproximado de alcoolemia (nível de álcool no sangue) de acordo com a quantidade de doses consumida.

Enquanto a pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19) leva a implicações sérias para a saúde, há a preocupação de que algumas pessoas podem estar consumindo mais bebidas alcoólicas. Afinal, de que modo o surto de COVID-19 impactará no uso de álcool?

Segundo Rehm e colaboradores, possíveis respostas podem ser buscadas a partir do impacto de outras crises recentes de saúde pública nos níveis e padrões de consumo de álcool. A partir de sua revisão1, identificaram duas hipóteses principais sobre repercussões da COVID-19 no uso de álcool. A primeira sugere que o aumento do sofrimento psicológico desencadeado pela interação de dificuldades financeiras, isolamento social e incerteza sobre o futuro, durante e após crises como a pandemia da COVID-19, pode piorar padrões de uso de álcool e aumentar danos atribuíveis. Algumas evidências da literatura sobre pandemias anteriores apoiam essa primeira hipótese. Por exemplo, um estudo chinês2 sobre a pandemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2003, realizado com 800 moradores de Hong Kong, mostrou que 6,8% dos que consumiam álcool (4,7% dos homens e 14,8% das mulheres) relataram um aumento neste consumo um ano após a pandemia da SARS.

A outra hipótese examinada por Rehm e colaboradores diz respeito à disponibilidade física e financeira (acessibilidade) do álcool. Essa hipótese prevê reduções do consumo e dos problemas atribuíveis a ele, com base em evidências de pesquisas sobre políticas de controle do álcool. Como crises do porte da pandemia de COVID-19 são geralmente associadas ao desemprego e à redução das jornadas de trabalho, levando a diminuições da renda para grande parte da população, consequentemente haveria redução do consumo de álcool e dos problemas atribuíveis. 

As restrições de disponibilidade de bebidas alcoólicas na pandemia - ligadas a medidas como o fechamento de locais de consumo - também poderiam levar a reduções no nível de uso de álcool e danos atribuíveis. Em alguns países, não apenas o consumo no local foi restringido, mas foi implementada uma proibição total temporária da venda de bebidas alcoólicas, como na África do Sul. Lá, em 18 de março de 2020, como parte de sua Estratégia de Gerenciamento de Desastres COVID-19, o governo anunciou uma série de limitações na venda, distribuição e transporte de bebidas alcoólicas. O álcool não foi incluído na lista de bens e serviços essenciais que poderiam ser adquiridos durante o período de lockdown. A justificativa seria que o declínio esperado de acidentes e agressões, devido à proibição de compra do álcool, liberaria o espaço necessário nos hospitais durante a crise de coronavírus.

Após análise das duas hipóteses, os autores do estudo sugerem que o nível de consumo de álcool diminua no futuro imediato - mesmo que alguns governos apoiem os operadores econômicos, declarando que a venda de álcool é um negócio essencial e exigindo que os fornecedores permaneçam abertos em tempos de bloqueio, como já feito em muitos países. Porém, apesar desta diminuição do consumo no curto prazo, um “relaxamento” das medidas de controle do álcool e o sofrimento psicológico relacionado ao surto de COVID-19 poderão levar ao aumento do consumo de álcool e/ou à piora dos padrões a longo prazo.

No que diz respeito às consequências sociais, no curto prazo, a mudança do local de consumo de bebida - de bares e restaurantes para casa, pode diminuir acidentes de trânsito ligados ao álcool devido a menos viagens de e para locais de vendas de bebida. Por outro lado, a violência doméstica pode aumentar devido à relação mais forte entre o consumo fora do local de venda e incidentes violentos (potenciais aumentos de violência doméstica e outros tipos de violência também foram usados como a principal justificativa para proibições temporárias da venda de bebidas alcoólicas).

Os especialistas ressaltam que a situação atual é inédita em termos da dimensão do isolamento social. Portanto, embora as lições aprendidas em outras crises permitam fazer algumas previsões, é importante que qualquer aumento do consumo de álcool seja monitorado. Isso porque poderia incrementar tanto a carga usual de doenças associadas ao próprio álcool, quanto a carga relativa à COVID-19, já que o uso excessivo de álcool enfraquece o sistema imunológico. Esse monitoramento deve considerar não somente o nível de consumo, mas diferenças de gênero e de condição socioeconômica, pois os danos atribuíveis ao álcool diferem em função desses fatores.

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Pesquisa norte-americana sugere que beber pouco ou moderadamente pode ter efeitos protetores das funções cognitivas entre adultos de meia-idade e idosos.

 

Os resultados de um estudo publicado em junho na revista científica Jama Network Open indicam que o consumo leve a moderado de álcool pode atenuar o declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento. A partir dos dados do estudo longitudinal Health and Retirement Study (HRS), uma pesquisa investigou o consumo de álcool e o declínio das funções cognitivas – linguagem, memória, atenção e percepção - relacionado à idade entre adultos de meia idade e idosos norte-americanos. No total, 19.887 pessoas participaram do estudo, que contou com três levantamentos bienais realizados entre 1996 e 2008. A média de idade dos participantes era de 61,8 anos, sendo a maioria do sexo feminino (60,1%).

O funcionamento cognitivo foi avaliado por meio de testes de recordação de palavras, estado mental e vocabulário. Já o consumo de álcool foi mensurado a partir das perguntas: “Você já tomou alguma bebida alcoólica, como cerveja, vinho ou destilado?”; “Nos últimos 3 meses, em média, em quantos dias por semana você bebeu?”; e "Nos últimos 3 meses, nos dias em que você bebeu, quantas doses você consumiu?". A partir das respostas, os participantes foram categorizados como:

  • Abstêmios: quem nunca bebeu;
  • Ex-bebedores: quem já tomou alguma bebida, mas não nos 3 meses anteriores à pesquisa;
  • Bebedores atuais: quem bebeu nos 3 meses anteriores à pesquisa.

 

A seguir, os bebedores atuais foram classificados de acordo com seu padrão de consumo (frequência e volume ingerido). Uso leve a moderado foi considerado como aquele abaixo de 8 doses por semana para mulheres ou abaixo de 15 doses por semana para homens; acima desses níveis foi considerado uso pesado. Fatores como idade, sexo, etnia, escolaridade, estado civil, tabagismo e índice de massa corporal foram considerados nas análises.

Os resultados indicaram que o consumo leve a moderado de álcool estava associado a melhores resultados nos domínios avaliados (estado mental, recordação de palavras e vocabulário). Em comparação com os abstêmios, os participantes cujo consumo de álcool era leve a moderado apresentaram taxas mais lentas de declínio cognitivo ao longo do tempo.

Esses dados sugerem que beber pouco ou moderadamente pode ter efeitos protetores das funções cognitivas, apesar de ainda não serem esclarecidos os mecanismos subjacentes a essa associação. Os autores da pesquisa ainda reforçam que campanhas de saúde pública ainda são necessárias para reduzir o consumo de álcool entre norte-americanos adultos de meia-idade e idosos, especialmente entre homens, considerando que o consumo nocivo está associado a danos nessas funções cognitivas e a outros prejuízos para a saúde. 

 

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