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Nenhuma bebida alcoólica protege contra a COVID-19

28 Janeiro 2022

Estudo chinês avaliou a quantidade e a frequência de diferentes bebidas alcoólicas com o risco de contrair COVID-19.

Um estudo chinês, publicado na revista Frontiers of Nutrition1 e baseado em um banco de dados contendo informações de 470.000 pessoas - entre as quais 16.559 testaram positivo para COVID-19 - buscou investigar as associações entre o padrão de  de consumo de diferentes bebidas alcoólicas e o risco de contrair COVID-19. O padrão de consumo foi mensurado através de quantidade e frequência de uso de álcool, e não contabilizou local, nível e segurança de socialização ou cumprimento de medidas de segurança referentes à pandemia nos momentos de consumo.  

 

No geral, o estudou encontrou um risco maior de desenvolver COVID-19 com o aumento do consumo de álcool. Mas também sugeriu que o risco de COVID-19 seria de 10 a 17% menor em consumidores de vinho tinto em comparação com não bebedores. Por outro lado, também descobriu que os consumidores de cerveja e cidra teriam entre 7% e 28% mais risco de contrair COVID-19 em comparação com os não bebedores. O vinho tinto só desempenhou efeito protetor para o COVID-19 quando os indivíduos consumiram álcool acima ou o dobro das diretrizes de consumo moderado do Reino Unido (menor que 14 unidades por semana, sendo que uma taça de vinho corresponde a duas unidades). Os autores discutem que, possivelmente, tal proteção seja devida às propriedades antioxidantes dos polifenóis e seus efeitos cardioprotetores, que podem dirimir os impactos que a COVID-19 traz ao coração. Tal discussão é válida, e merece ser estudada de forma mais minuciosa, mas é importante destacar que a pesquisa não provê nenhuma análise fisiológica de que este seja o caso.


Embora os autores do estudo tenham levado em consideração algumas variáveis socioeconômicas, como o nível educacional e o status de emprego, não fica claro como o status socioeconômico, em suas diversas manifestações, foi controlado pelo estudo. Além disso, os riscos de infecção por COVID-19 estão associados a muitos fatores, como o nível de isolamento social, a saúde geral, e a vacinação, que não foram considerados no estudo.


Outra limitação importante diz respeito aos padrões de consumo ligados aos diferentes tipos de bebida. Culturalmente, o consumo de vinho costuma estar associado às refeições ou ao consumo dentro de casa, enquanto os destilados e a cerveja ao consumo em bares, festas e outros locais externos, com maior número de pessoas.
Em síntese, há diversos “fatores de confusão” que podem ter influenciado os resultados. Dessa forma, seriam necessários mais estudos para que os supostos efeitos protetores do vinho para a COVID-19 fossem confirmados.

 

Por fim, é importante salientar que a literatura científica indica que o consumo nocivo de álcool é um fator de risco para maior severidade de COVID-19; este fato isolado, sem levar em conta que o consumo nocivo de álcool e fator de risco para mais de 200 outros transtornos e agravos, é suficiente para indicar cautela no consumo de álcool2-6. Além disso, em consonância com a literatura científica, a OMS preconiza que de forma alguma o consumo de qualquer tipo de álcool protegerá contra a COVID-19 ou impedirá que alguém se contagie com o coronavírus7-9.

 

 

 

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