Álcool e medicamentos antiretrovirais

14 abril, 2005

Pesquisa comprova que o uso de álcool com medicamentos para o tratamento do HIV pode prejudicar o tratamento.

O uso de medicamentos antiretrovirais para tratamento de pacientes portadores de HIV deve ser extremamente controlado. Esses medicamentos são, na grande maioria das vezes, tóxicos e responsáveis por reações adversas graves em pacientes que estão em tratamento.

A maior parte do álcool ingerido é metabolizado no fígado pela ação da enzima álcool desidrogenase (ADH). Esta enzima converte o álcool em acetaldeído, que mesmo em pequenas concentrações, é tóxico para o organismo. A enzima aldeído desidrogenase (ALDH), por sua vez, converte o acetaldeído em acetato. Algumas classes de antiretrovirais, como por exemplo o abacavir (Ziagen ®), apresentam metabolismo similar ao do etanol, sendo assim, é extremamente possível prever interações entre eles.

Em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, foi estudada uma possível interação entre 25 pacientes HIV positivos que combinaram o abacavir com o etanol. Cada um dos pacientes efetuou 3 tipos de esquema medicamentoso com um intervalo de descanso de 7 dias entre cada um. A administração concomitante de etanol com abacavir resultou em um aumento de 41% na concentração plasmática do medicamento e nenhum aumento para a concentração do etanol.

Apesar da significância estatística, os níveis do abacavir são os melhores níveis conhecidos. Deve ser aconselhado ao paciente que tome o medicamento após o consumo de etanol para que não ocorra nenhum tipo de potencialização.

O etanol pode ativar algumas enzimas hepáticas, (além de seus receptores e citocromos) que são responsáveis pelo metabolismo de medicamentos anticoncepcionais orais, tricíclicos e β-bloqueadores, que podem se tornar subterapêuticos.

Outro exemplo a ser citado é o do metabolismo do paracetamol (Tylenol®). Ele resulta em um composto extremamente hepatotóxico que só causa reações adversas quando a pessoa é exposta a altas doses do medicamento. Porém, com o uso crônico do paracetamol associado ao etanol, é muito mais possível que os efeitos adversos do medicamento sejam potencializados sem que se reverta o quadro de toxicidade.

Additional Info

  • Autor(es): G.H. Wynn; K.L. Cozza; M.J. Zapor; G.W. Wortmann, S.C. Armstrong
  • Fator de impacto da revista: 1.843
  • Título(s) original(is): Antiretrovirals, Part III: Antiretrovirals and Drugs of Abuse
  • Fonte:

    Psychosomatics 46:1, 2005

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