Cerveja contaminada por dietilenoglicol: entenda os efeitos da substância para a saúde humana

20 janeiro, 2020

Não é novidade que a cerveja é a bebida favorita dos brasileiros. Segundo a Organização Mundial da Saúde, é consumida por 61,8%. Agora, que ela pudesse causar a morte de pessoas, contudo, foi algo que deixou os consumidores assustados e com muitas dúvidas a respeito da segurança em relação ao seu consumo.

No dia 16/01, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou a presença das substâncias tóxicas - monoetilenoglicol e o dietilenoglicol - em oito produtos da cervejaria Backer. Utilizadas em algumas produtoras de cerveja como anticongelante e para evitar que a bebida evapore, essas substâncias são de cor clara, viscosa, não têm cheiro e têm um gosto adocicado. Também estão presentes em vários produtos químicos, como arrefecedores de radiadores de carros, fluidos hidráulicos e solventes de tintas.

Por serem tóxicas, não deveriam entrar em contato com a bebida, ficando restritas às serpentinas, que são os tubos gelados ao redor dos tanques de cerveja, responsáveis pelo seu processo de resfriamento.

De acordo com Erick Leite Bastos, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), o produto utilizado pela cervejaria foi na verdade o monoetilenoglicol, substância que não é tóxica ao contato, mas que não se pode ingerir. Em entrevista ao Jornal da USP, o professor Luís Francisco Moreira Gonçalves, também do Instituto de Química da USP, explicou que o monoetilenoglicol pode se transformar em dietilenoglicol ao entrar em contato com um ambiente ácido, como a cerveja. Embora ambas sejam tóxicas, o dietilenoglicol é ainda mais nocivo para a saúde humana. A hipótese dos especialistas é que a substância tenha vazado por conta de alguma ruptura nas serpentinas ou rosca mal apertada.

A ingestão da cerveja contaminada pode causar síndrome nefroneural - doença, inclusive, que acometeu algumas pessoas que consumiram a bebida. Os sintomas incluem náusea, vômito e dor abdominal, evoluindo para insuficiência renal e alterações neurológicas, sendo fatal em alguns casos. Para quem ingeriu a bebida contaminada e esteja apresentando esses sintomas, a recomendação é para procurar imediatamente atendimento médico.

Importante ressaltar que as duas substâncias não têm regulamentação no Brasil e não costumam ser utilizadas pelas cervejarias brasileiras, segundo a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). A substância mais utilizada na produção de cerveja é o propilenoglicol, que pode ser consumido por seres humanos.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determinou que todas as cervejas da marca fossem recolhidas e que fosse suspensa a venda de produtos. A medida é válida para qualquer rótulo da cerveja, além dos chopes, fabricado entre outubro de 2019 e janeiro.

Additional Info

  • Referencias:

    https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2020/01/16/vazamento-e-produto-impuro-podem-ter-contaminado-cerveja-em-mg.htm

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